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CAMPANHA NACIONAL
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VALORIZAR A PROFISSÃO
SÉRIE DE ARTIGOS DO PROFESSOR DR. FÁBIO FRANÇA

Fábio França
ffranca@uol.com.br

Doutor em Relações Públicas pela Universidade de São Paulo. Professor e coordenador do Núcleo de Produtos da Agência Experimental de Relações Públicas da UMESP. Autor dos livros: "Públicos: como identificá-los em uma nova visão estratégica" e "Manual da Qualidade em Projetos de Comunicação" em co-autoria com Sidinéia Freitas.


Texto IV

A qualificação necessária: o registro profissional
O registro profissional faz parte da estratégia de valorização da profissão

Não existe mercado de trabalho para a profissão que não diz a que veio e o que pode fazer pelas organizações, nem para a que não é valorizada pelos profissionais que a escolheram como carreira e a ela se filiaram. Quem fez o curso de Relações Públicas, se quiser conquistar o mercado de trabalho, deve ter, como primeiro passo, a posse de seu registro profissional.

Não basta a graduação. A lei que regulamenta a profissão exige que cada profissional, para exercê-la, deve estar de posse desse registro. As empresas cumpridoras das leis exigem, no ato de contratação de qualquer candidato cuja profissão é regulamentada, que ele apresente sua habilitação profissional. Embora a falta desse registro seja alvo de punições por parte dos Conselhos de Relações Públicas, numerosos profissionais em atividade no país jamais o procuraram, fato que desacredita a própria profissão e o seu exercício.

O registro representa a qualificação e o orgulho do profissional em tê-lo conquistado, em ostentá-lo como um troféu e uma garantia de sua qualificação específica dentro do mercado. Para as empresas que contratam profissionais, o registro é o aval de que podem trabalhar com eles, pois carregam consigo o reconhecimento de uma universidade idônea, que lhes conferiu o diploma, por terem cumprido todas as exigências de uma boa formação acadêmica.

Aqui cabe lembrar que se registrar em seu conselho profissional é obrigação legal para o exercício da profissão e motivo de orgulho para engenheiros, advogados, médicos, psicólogos, contabilistas, e para outras habilitações regulamentadas. Você já imaginou esses diferentes profissionais exercendo suas atividades sem as respectivas carteiras que os definem como formalmente habilitados para o exercício da sua profissão? Por que os profissionais de relações públicas não se registram? Não se orgulham de sua profissão? Em parte, sem dúvida, por falta de informação, do conhecimento mais profundo da atividade e, também, porque os Conselhos não dispõem de planejamento adequado para estimular a procura do registro logo após a formatura dos novos profissionais. Agiriam melhor se, antes de punir, informassem e educassem profissionais e estudantes sobre a importância, o valor e a atualidade das relações públicas para, em seguida, falar sobre a necessidade natural do registro, passando, em seguida, a exigi-lo, como fazem outros conselhos, dentro de um prazo limite, para poderem exercer a profissão. Como ser respeitado e conseguir lugar no mercado de trabalho se o profissional não pode provar que se encontra devidamente qualificado? Admite-se que no Brasil existem de oito a 12 mil profissionais; há quem fale em números maiores. Onde estão? Por que não se registram nos Conselhos se querem ser bem recebidos pelo mercado? Escolheram a profissão errada?

A função dos Conselhos Profissionais, legítimos representantes da sociedade, é valorizar e fortalecer o exercício das profissões regulamentadas e coibir o exercício ilegal de suas atividades por pessoas inescrupulosas, que se arrogam o título de profissionais para exercerem atividades para as quais não estão habilitadas. Desempenham papel importante na fiscalização do exercício profissional, no aperfeiçoamento de seus membros, além de primarem pela defesa dos procedimentos éticos deles exigidos.

Esses Conselhos são fiscalizados de modo permanente por meio das auditorias dos Conselhos Federais e do Tribunal de Contas da União, podendo ser por eles punidos pelo não cumprimento de suas obrigações.

O Sistema CONFERP/CONRERPs foi criado pelo Decreto-lei nº 860, de 11 de dezembro de 1969, que foi regulamentado pelo Decreto nº 68.582, de 4 de maio de 1971. Cabe ao sistema estabelecido, em todo o território nacional, a obrigação de fiscalizar e de defender o exercício legal da atividade de Relações Públicas.

Quando fui presidente do Conrerp, 2a. Região, SP/PR, verifiquei que é impressionante o desconhecimento dos profissionais e dos estudantes sobre suas obrigações e responsabilidades perante a legislação. Tudo indica que não se orgulham da carreira que escolheram, confundem função com profissão. Em razão disso, toda vez que mudam de função, pedem a baixa do registro, como se tivessem deixado de ser profissionais de relações públicas. Um médico não deixa de ser médico, quando exerce uma função administrativa, da mesma forma o relações-públicas não deixa de ser profissional, quando assume o cargo de diretor de recursos humanos, por exemplo. Por que pedir a baixa do registro? Somente para não pagar a anuidade devida? E a colaboração para o fortalecimento da categoria?

A campanha de valorização das relações públicas deve começar por um trabalho inteligente de intensa informação a ser dada aos estudantes, aos departamentos de recursos humanos das empresas para que exijam o registro no ato da contratação, passando pela conscientização das empresas de relações públicas para que contratem maior número de profissionais da área, e não somente jornalistas, pela criação de equipes capazes de esclarecer os empresários por quê necessitam das relações públicas para o sucesso de seus negócios nas relações eficazes com seus públicos de interesse.

A força de uma profissão regulamentada está na concentração de seus profissionais em torno dela (esprit de corps), amparados legalmente pelo seu registro como forma de valorizá-la, defendê-la e dela se orgulhar.


Outros artigos da série:

Texto I - O que é preciso fazer para construir o conceito positivo das relações públicas?

Texto II - Relações Públicas: uma atividade que não assume sua posição no mercado.

Texto III - É hora de somar forças: manifesto pela valorização das relações públicas.

 
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