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CAMPANHA NACIONAL
Relações Públicas: mais que uma profissão, é uma causa, uma paixão, um caso de amor...

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VALORIZAR A PROFISSÃO
SÉRIE DE ARTIGOS DO PROFESSOR DR. FÁBIO FRANÇA

Fábio França
ffranca@uol.com.br

Doutor em Relações Públicas pela Universidade de São Paulo. Professor e coordenador do Núcleo de Produtos da Agência Experimental de Relações Públicas da UMESP. Autor dos livros: "Públicos: como identificá-los em uma nova visão estratégica" e "Manual da Qualidade em Projetos de Comunicação" em co-autoria com Sidinéia Freitas.


Texto III

É hora de somar forças
Manifesto pela valorização das Relações Públicas

Hora do apelo

É hora de somar forças: as relações públicas precisam contar com você.

É hora de trabalhar pela inclusão, não pela exclusão do Sistema Conferp/Conrerps.

É hora de não abandonar a profissão pela qual se optou. No mundo global dos relacionamentos, ela oferece tudo para o sucesso pessoal e profissional. Está entre as dez profissões mais procuradas pelo mercado atual, comprovam as pesquisas.

É hora de dar às relações públicas o lugar que lhes cabe na gestão dos assuntos públicos e dos relacionamentos das organizações com seus públicos estratégicos.

É hora de entender que as habilitações da comunicação social trabalham com o efêmero, o finito, no campo dos instrumentos; somente as relações públicas atuam como um processo no campo das políticas permanentes que direcionam, de maneira correta, o relacionamento e a comunicação das organizações com as partes interessadas.

 

Hora de definir

É hora de entender que o conceito da atividade evoluiu, que é preciso se convencer do que significam as relações públicas contemporâneas:

Representam uma filosofia global de relacionamentos simétricos da organização com o mercado e de promoção de negócios. Devem ser empregadas por entidades públicas e privadas como instrumento estratégico da comunicação organizada com a sociedade.

Classificam-se como estratégia, atividade multifacetada, de aplicação universal, permanente, que trabalha pari passu com a administração das empresas, contribuindo para a consecução de seus objetivos estratégicos.

Atuam no planejamento e na gestão das políticas permanentes dos relacionamentos da organização com os públicos com os quais interage para o desenvolvimento de seus negócios.

Estudam os cenários internos e externos da organização e fazem o mapeamento dos seus públicos para tornar a relação com cada um deles adequada e efetiva.

Trabalham, em síntese, como gestoras do planejamento e das políticas corporativas permanentes de relacionamento e de comunicação das organizações com seus públicos
de interesse

 

Hora do saber fazer

Relações Públicas não se confundem com a comunicação. São estratégias que ensinam o saber fazer de forma planejada e no momento certo para conseguir o que se deseja. Traduzem os princípios éticos e operacionais da organização em diretrizes de relacionamento com os públicos, define as formas de comunicação e os meios a serem desenvolvidas e utilizados na relação com cada um deles.

A comunicação é o processo que estabelece a interação, o como fazer, mas sem princípios orientadores, o uso da mídia pela mídia será sempre ineficaz. Por isso, pesquisa da ABERJE (2000) diz que 71% dos executivos das maiores empresas do Brasil estão insatisfeitos com a comunicação desenvolvida em suas organizações. Por quê? Porque lhe faltam princípios que a direcione, de maneira eficaz, para atingir seu público-alvo e é tratada apenas de forma pontual.

Se a comunicação sem orientação é um problema, as soluções inteligentes apresentadas por relações públicas contribuem para torná-la geradora de resultados que alterem atitudes e comportamentos eliciados dos públicos a que se dirige.

O objetivo das relações públicas é estabelecer, desenvolver e manter, de forma planejada, ligações, relacionamentos diretos, gerais ou especializados, entre pessoas, entre organizações, públicas e privadas, entre públicos da organização e entre a sociedade de forma a traduzir esses relacionamentos em benefícios para as partes.

 

Hora de agir

Chega de manter a tradição de que o relacionista deve trabalhar apenas no cenário operacional, ser um fazedor de peças de mídia, em apoio ao marketing, aos recursos humanos e à comunicação organizacional, humildemente recolhido aos bastidores. Sua vocação é superior: assumir a função de interlocutor qualificado da organização no direcionamento de seus negócios, o seu papel de líder e gestor dos relacionamentos públicos das organizações com seus multipúblicos para o sucesso do empreendimento nos cenários internos e externos.

É hora de virar a mesa, de se ter uma visão contemporânea das relações públicas, de abandonar o cenário interno pelo externo: é principalmente no gerenciamento dos assuntos públicos da organização que devem atuar os profissionais de relações públicas, para que a atividade seja bem-sucedida na implantação de relacionamento programado com o mercado e a sociedade.

É hora de não mais se discutir de quem é o mercado, se ele está sendo ocupado por pessoas alheias ao conhecimento das relações públicas, mas de assumir a posição de “relacionadores públicos”, de preencher as vagas que se abrem nas organizações em nível diretivo e em seus centros de relacionamento com investidores, clientes, comunidade, órgãos governamentais e nos diferentes setores da sociedade.

É hora de deixar para os profissionais da mídia o que lhes compete por formação e permitir que desempenhem suas funções a partir das diretrizes corporativas da organização, gerenciadas pelos relacionadores públicos.

É hora de entender que o mercado das relações públicas é muito amplo, e onde quer que haja necessidade de relacionamento entre qualquer organização e seus públicos, exige-se a presença do relacionista, por exemplo:

Nas áreas governamentais e de assuntos públicos, como consultores políticos, de imagem corporativa, gestores de assuntos ecológicos, corporativos, comunitários; como auditores, ombudsman, lobistas, pesquisadores de opinião pública, na relação com consumidores, na área de cerimonial e protocolo, no planejamento e execução de eventos, como consultores de cerimonial, mestres de cerimônias, planejadores de programas de visitas.

Na área da comunicação organizacional, como estrategistas e executores da comunicação corporativa de uma só voz, pesquisadores de clima e de expectativas de funcionários.

Nas especializações em vários setores, como os do ensino, do esporte, da saúde, da ecologia, em relacionamentos internacionais e na promoção de produtos culturais e da responsabilidade social, além de outros.

 

Hora do “profissional aprendente” e empreendedor

É hora de enfrentar os desafios profissionais, de oferecer ao mercado gestores devidamente qualificados que tenham o perfil solicitado pelas organizações.

É hora de se convencer de que, para ser bem-sucedido, o “relacionador público” deve ter mentalidade global, ser multi-skill, isto é, “multicompetente”, possuidor das competências e habilidades necessárias para atuar em contextos diversos no desempenho de suas funções e se dedicar, como “profissional aprendente” ao autodesenvolvimento.

É hora de se certificar que seu sucesso dependerá do conhecimento do arcabouço teórico da atividade, que o introduziu no campo do saber fazer (conhecimento teórico) e no campo do como fazer (área operacional). Exige-se, portanto, dele espírito empreendedor, profundo conhecimento teórico e prático do “corpo de doutrina” das relações públicas, além de conhecimentos complementares sólidos, como o perfeito domínio da língua portuguesa, de línguas estrangeiras, de informática; conhecimento do mundo dos negócios, da economia, das modernas técnicas de gestão e produção, tais como qualidade total, planejamento estratégico, gestão do conhecimento e governança corporativa.

 

Hora da ascensão das relações públicas

All Ries e Laura Ries (2002) falam da queda da propaganda e da ascensão das relações públicas e oferecem centenas de motivos para exaltar a excelência das relações públicas, que dão credibilidade à organização e à marca, sobre as práticas da propaganda, que não conseguem contornar o problema da credibilidade. Afinal, dizem (p. 292) aos relacionistas: “não é hora para a timidez”.

O que é preciso fazer para a consolidação e a promoção de um conceito positivo das relações públicas?

Ousar. Mostrar competência e empreendedorismo no exercício da profissão.

Fazer com que as relações públicas assumam a posição de liderança que lhes cabe na gestão dos projetos de relacionamento e de comunicação das organizações com seus públicos e abandonem o complexo de inferioridade diante das demais habilitações da comunicação social.

Que os profissionais conheçam mais profundamente a sua atividade e se orgulhem de serem interlocutores da organização na promoção de seus negócios.

Que se afirme em alto e bom som, para que existe a profissão, o que faz, quais são seus pressupostos, como trabalha, que vantagens estratégicas oferece às organizações, como gestora de assuntos públicos e dos seus relacionamentos internos e externos com o mercado.

E que se estabeleça um processo de unificação conceitual da profissão e das campanhas de sua promoção por parte das diferentes entidades que a representam, entendendo elas que, por se tratar de uma atividade de caráter público, devem se irmanar, trabalhar em conjunto, conscientes, afinal, de que agindo isoladamente em nada contribuirão para a atividade e a profissão. Mais do que nunca é hora de somar forças pelas relações públicas brasileiras.


Outros artigos da série:

Texto I - O que é preciso fazer para construir o conceito positivo das relações públicas?

Texto II - Relações Públicas: uma atividade que não assume sua posição no mercado.

Texto IV - A qualificação necessária: o registro profissional.

 
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