Doutor
em Relações Públicas pela Universidade
de São Paulo. Professor e coordenador do Núcleo
de Produtos da Agência Experimental de Relações
Públicas da UMESP. Autor dos livros: "Públicos:
como identificá-los em uma nova visão estratégica"
e "Manual da Qualidade em Projetos de Comunicação"
em co-autoria com Sidinéia Freitas.
Texto
III
É
hora de somar forças
Manifesto pela valorização das Relações
Públicas
Hora
do apelo
É
hora de somar forças: as relações públicas
precisam contar com você.
É
hora de trabalhar pela inclusão, não pela exclusão
do Sistema Conferp/Conrerps.
É
hora de não abandonar a profissão pela qual se optou.
No mundo global dos relacionamentos, ela oferece tudo para o sucesso
pessoal e profissional. Está entre as dez profissões
mais procuradas pelo mercado atual, comprovam as pesquisas.
É
hora de dar às relações públicas o
lugar que lhes cabe na gestão dos assuntos públicos
e dos relacionamentos das organizações com seus
públicos estratégicos.
É
hora de entender que as habilitações da comunicação
social trabalham com o efêmero, o finito, no campo dos instrumentos;
somente as relações públicas atuam como um
processo no campo das políticas permanentes que direcionam,
de maneira correta, o relacionamento e a comunicação
das organizações com as partes interessadas.
Hora
de definir
É
hora de entender que o conceito da atividade evoluiu, que é
preciso se convencer do que significam as relações
públicas contemporâneas:
Representam
uma filosofia global de relacionamentos simétricos da organização
com o mercado e de promoção de negócios.
Devem ser empregadas por entidades públicas e privadas
como instrumento estratégico da comunicação
organizada com a sociedade.
Classificam-se
como estratégia, atividade multifacetada, de aplicação
universal, permanente, que trabalha pari passu com a administração
das empresas, contribuindo para a consecução de
seus objetivos estratégicos.
Atuam
no planejamento e na gestão das políticas permanentes
dos relacionamentos da organização com os públicos
com os quais interage para o desenvolvimento de seus negócios.
Estudam
os cenários internos e externos da organização
e fazem o mapeamento dos seus públicos para tornar a relação
com cada um deles adequada e efetiva.
Trabalham,
em síntese, como gestoras do planejamento e das políticas
corporativas permanentes de relacionamento e de comunicação
das organizações com seus públicos
de interesse
Hora
do saber fazer
Relações Públicas não se confundem
com a comunicação. São estratégias
que ensinam o saber fazer de forma planejada e no momento certo
para conseguir o que se deseja. Traduzem os princípios
éticos e operacionais da organização em diretrizes
de relacionamento com os públicos, define as formas de
comunicação e os meios a serem desenvolvidas e utilizados
na relação com cada um deles.
A
comunicação é o processo que estabelece a
interação, o como fazer, mas sem princípios
orientadores, o uso da mídia pela mídia será
sempre ineficaz. Por isso, pesquisa da ABERJE (2000) diz que 71%
dos executivos das maiores empresas do Brasil estão insatisfeitos
com a comunicação desenvolvida em suas organizações.
Por quê? Porque lhe faltam princípios que a direcione,
de maneira eficaz, para atingir seu público-alvo e é
tratada apenas de forma pontual.
Se
a comunicação sem orientação é
um problema, as soluções inteligentes apresentadas
por relações públicas contribuem para torná-la
geradora de resultados que alterem atitudes e comportamentos eliciados
dos públicos a que se dirige.
O
objetivo das relações públicas é estabelecer,
desenvolver e manter, de forma planejada, ligações,
relacionamentos diretos, gerais ou especializados, entre pessoas,
entre organizações, públicas e privadas,
entre públicos da organização e entre a sociedade
de forma a traduzir esses relacionamentos em benefícios
para as partes.
Hora
de agir
Chega
de manter a tradição de que o relacionista deve
trabalhar apenas no cenário operacional, ser um fazedor
de peças de mídia, em apoio ao marketing, aos recursos
humanos e à comunicação organizacional, humildemente
recolhido aos bastidores. Sua vocação é superior:
assumir a função de interlocutor qualificado da
organização no direcionamento de seus negócios,
o seu papel de líder e gestor dos relacionamentos públicos
das organizações com seus multipúblicos para
o sucesso do empreendimento nos cenários internos e externos.
É
hora de virar a mesa, de se ter uma visão contemporânea
das relações públicas, de abandonar o cenário
interno pelo externo: é principalmente no gerenciamento
dos assuntos públicos da organização que
devem atuar os profissionais de relações públicas,
para que a atividade seja bem-sucedida na implantação
de relacionamento programado com o mercado e a sociedade.
É
hora de não mais se discutir de quem é o mercado,
se ele está sendo ocupado por pessoas alheias ao conhecimento
das relações públicas, mas de assumir a posição
de “relacionadores públicos”, de preencher
as vagas que se abrem nas organizações em nível
diretivo e em seus centros de relacionamento com investidores,
clientes, comunidade, órgãos governamentais e nos
diferentes setores da sociedade.
É
hora de deixar para os profissionais da mídia o que lhes
compete por formação e permitir que desempenhem
suas funções a partir das diretrizes corporativas
da organização, gerenciadas pelos relacionadores
públicos.
É
hora de entender que o mercado das relações públicas
é muito amplo, e onde quer que haja necessidade de relacionamento
entre qualquer organização e seus públicos,
exige-se a presença do relacionista, por exemplo:
Nas
áreas governamentais e de assuntos públicos, como
consultores políticos, de imagem corporativa, gestores
de assuntos ecológicos, corporativos, comunitários;
como auditores, ombudsman, lobistas, pesquisadores de opinião
pública, na relação com consumidores, na
área de cerimonial e protocolo, no planejamento e execução
de eventos, como consultores de cerimonial, mestres de cerimônias,
planejadores de programas de visitas.
Na
área da comunicação organizacional, como
estrategistas e executores da comunicação corporativa
de uma só voz, pesquisadores de clima e de expectativas
de funcionários.
Nas
especializações em vários setores, como os
do ensino, do esporte, da saúde, da ecologia, em relacionamentos
internacionais e na promoção de produtos culturais
e da responsabilidade social, além de outros.
Hora
do “profissional aprendente” e empreendedor
É
hora de enfrentar os desafios profissionais, de oferecer ao mercado
gestores devidamente qualificados que tenham o perfil solicitado
pelas organizações.
É
hora de se convencer de que, para ser bem-sucedido, o “relacionador
público” deve ter mentalidade global, ser multi-skill,
isto é, “multicompetente”, possuidor das competências
e habilidades necessárias para atuar em contextos diversos
no desempenho de suas funções e se dedicar, como
“profissional aprendente” ao autodesenvolvimento.
É
hora de se certificar que seu sucesso dependerá do conhecimento
do arcabouço teórico da atividade, que o introduziu
no campo do saber fazer (conhecimento teórico) e no campo
do como fazer (área operacional). Exige-se, portanto, dele
espírito empreendedor, profundo conhecimento teórico
e prático do “corpo de doutrina” das relações
públicas, além de conhecimentos complementares sólidos,
como o perfeito domínio da língua portuguesa, de
línguas estrangeiras, de informática; conhecimento
do mundo dos negócios, da economia, das modernas técnicas
de gestão e produção, tais como qualidade
total, planejamento estratégico, gestão do conhecimento
e governança corporativa.
Hora
da ascensão das relações públicas
All
Ries e Laura Ries (2002) falam da queda da propaganda e da ascensão
das relações públicas e oferecem centenas
de motivos para exaltar a excelência das relações
públicas, que dão credibilidade à organização
e à marca, sobre as práticas da propaganda, que
não conseguem contornar o problema da credibilidade. Afinal,
dizem (p. 292) aos relacionistas: “não é hora
para a timidez”.
O que é preciso fazer para a consolidação
e a promoção de um conceito positivo das relações
públicas?
Ousar.
Mostrar competência e empreendedorismo no exercício
da profissão.
Fazer
com que as relações públicas assumam a posição
de liderança que lhes cabe na gestão dos projetos
de relacionamento e de comunicação das organizações
com seus públicos e abandonem o complexo de inferioridade
diante das demais habilitações da comunicação
social.
Que
os profissionais conheçam mais profundamente a sua atividade
e se orgulhem de serem interlocutores da organização
na promoção de seus negócios.
Que
se afirme em alto e bom som, para que existe a profissão,
o que faz, quais são seus pressupostos, como trabalha,
que vantagens estratégicas oferece às organizações,
como gestora de assuntos públicos e dos seus relacionamentos
internos e externos com o mercado.
E
que se estabeleça um processo de unificação
conceitual da profissão e das campanhas de sua promoção
por parte das diferentes entidades que a representam, entendendo
elas que, por se tratar de uma atividade de caráter público,
devem se irmanar, trabalhar em conjunto, conscientes, afinal,
de que agindo isoladamente em nada contribuirão para a
atividade e a profissão. Mais do que nunca é hora
de somar forças pelas relações públicas
brasileiras.