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Interface
Mercado-Academia
A
cada dia a discussão sobre a aproximação
entre a academia e o mercado se amplia. Muitos acham que
a nova configuração da sociedade não
permite mais o distanciamento existente entre o ensino e
a prática das atividades no mercado de trabalho,
pois o saber perito se torna cada vez mais técnico
e a técnica exige prática.
Outra corrente acredita que a academia deve se manter autônoma
e independente das “exigências” do mercado
contemporâneo, uma vez que a sua lógica se
encontra no âmbito capitalista neoliberal que, via
de regra, transforma tudo, mais tudo mesmo em produto, até
a educação.
Para
dar conta dessa discussão e como meio conciliatório
tem-se estimulado na academia a criação de
agências junior ou agências experimentais, que
têm a função de fazer a interface teoria
e prática, ensino e mercado. Essas organizações
hibridas, que tentam conciliar as duas vertentes, permitindo
aos alunos a experiência prática de mercado
dentro do ambiente acadêmico, o que significa dizer
que a academia tem tido que se dobrar diante da força
do mercado, mesmo que de forma autônoma, se é
que cabe esse paradoxo.
O
fato é que o mercado avança a passos largos
e firmes e invade o ambiente acadêmico sem respeitar
limites, preocupando aqueles que acreditam na academia como
um espaço para quem quer pensar e não executar,
teorizar e não praticar, pesquisar e articular estratégias
e não ser um mero realizador de tarefas, ou como
é popularmente chamado, um tarefeiro, uma vez que
para executar tarefas não se tem que, necessariamente,
obter nível superior, um curso técnico de
um ano e meio ou dois anos já seria mais do que suficiente.
A
articulação teórico-prática,
no entanto, é uma necessidade cada vez maior, sobretudo,
para aqueles que estão no âmbito das ciências
sociais aplicadas, como é o caso da comunicação
e, consequentemente, das relações públicas.
Nesse sentido, as agências de RP se tornam uma importante
ferramenta da academia para legitimar a profissão
na sociedade, uma vez que a profissão de relações
públicas luta contra a falta de reconhecimento e
legitimidade social. Veja o especial que trazemos nesta
edição, com um belo artigo do companheiro
Hugo de Assis, estudante e membro da empresa júnior
da UNEB.
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