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  Ano 6 • nº 24 • Salvador/BA • Abr, 2008 • ISSN 1819-1687
 
     
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  ESPECIAL  
     
 
RESPONSABILIDADE SOCIAL E COMUNICAÇÃO INTEGRADA:
Um novo olhar para a prática social

Taice Albuquerque
G raduada em Comunicação Social / Relações Públicas
taice.albuquerque@hotmail.com

Tatiana Soares
Graduada em Comunicação Social / Publicidade e Propaganda
tatianafsoares@gmail.com

A cada dia é mais perceptível a tomada de consciência da sociedade diante das dificuldades sociais e ambientais. Neste cenário, percebe-se a sensibilização de algumas empresas em atuar de forma concreta e decisiva para a mudança desta realidade. No entanto, algumas destas empresas não planejam suas ações e investem de forma inadequada seus rendimentos. Portanto, não basta apenas a vontade pessoal ou institucional para atuar na área social, são necessários o conhecimento prévio de conceitos e a aplicação de ferramentas que possibilitem uma real mudança social.

Para atender esta demanda, a John Snow Brasil Consultoria, em parceria com diversas empresas, elaborou um Ciclo de Gestão que consiste na criação, planejamento, implementação, monitoramento e avaliação de programas sociais contínuos, ou seja, que propiciam um retorno verdadeiro para a sociedade e, conseqüentemente, para a empresa.

A comunicação planejada e integrada ganha um importante papel neste Ciclo, por facilitar a adoção do comportamento social através das ferramentas estratégicas que ela possui. Os profissionais de comunicação devem agir de forma sinérgica, agregando conhecimentos em prol de um objetivo principal: potencializar o impacto a ser alcançado pelo programa social desenvolvido na empresa.

A Responsabilidade Social Corporativa apesar de ser um tema em evidência, ainda é mal compreendida e aplicada nas organizações. A verdadeira RSC deve procurar utilizar dos recursos empresariais, tanto humanos, quanto financeiro e tecnológico, para ampliar sua atuação social, fazendo parte das principais decisões da organização, ou seja, do DNA da empresa. Desta forma, a adoção de comportamentos sociais e a mobilização para a prática da RSC se tornam mais fáceis, potencializando as ações a serem desenvolvidas.

O Ciclo de Gestão em Responsabilidade Social Corporativa criado pela John Snow Brasil, muito mais que criar etapas estratégicas de conceituação, prazos e metodologias para a elaboração de um programa social, pretende promover um impacto social de visibilidade e sustentabilidade que se retroalimente, proporcionando continuidade à ação social, unindo-se muitas vezes a políticas públicas já existentes, ou dando origem a novas. Essa união permite que a atuação do mesmo não seja isolada, aumentando a possibilidade de êxito.

Para um programa se desenvolver é necessário conhecer todos os conceitos que os embasam, sendo isso, uma premissa básica para a criação do mesmo. Já os prazos devem ser médios ou longos, pois não é possível que haja uma mudança social em um curto espaço de tempo. Já a metodologia, coloca em prática as estratégias que viabilizarão a implementação do programa.

O Ciclo de Gestão em Responsabilidade Social Corporativa para sua total aplicação compreende cinco etapas estratégicas:

1 - Conceituação e Pesquisa: tem como sub-produtos a análise de stakeholders e a análise SWOT. Este primeiro componente apresenta todo o diagnóstico necessário à elaboração do Ciclo;

 
     
 
 

2 - Capacitação para o Engajamento dos Stakeholders: tem como objetivo envolver os stakeholders e capacitá-los para gerir e participar do projeto social a ser desenvolvido no escopo do Ciclo.

3 - Planejamento Institucional voltado para o Mercado Social e Planejamento em Marketing Social: Compreende dois sub-componentes. O primeiro é o planejamento institucional voltado para o mercado social, que objetiva identificar o perfil social da empresa, o segmento social que será contemplado e o levantamento de necessidades e demandas sociais dos gestores envolvidos e do próprio segmento. Para isso deve-se identificar os seguintes sub-produtos: Segmentação Social, Vocação Social e Estrutura Organizacional Ideal. O segundo sub-componente é o Planejamento de Marketing Social que deverá apresentar as formas de identificação do Marketing Mix Social.

4 - Implementação e Monitoramento: Nesta etapa são apresentadas as diretrizes que permeiam a implementação do Ciclo Social e as formas de acompanhamento desta implementação. Esta é a que demanda maior tempo, pois todas as etapas anteriores são colocadas em prática no campo de atuação delimitado;

5 - Avaliação Qualitativa: nesta etapa deverá ser realizada uma pesquisa de avaliação do Ciclo, através de grupos focais, com os stakeholders e o segmento social identificado.

Ao criar um Ciclo de Gestão em RSC para uma empresa do setor de vestuário masculino com tradição no Rio Grande do Sul, mas há pouco tempo em Brasília, facilitará a adoção desse comportamento à filosofia da empresa e a seus stakeholders, pois ambos evoluem com a essência da responsabilidade social. A disseminação cada vez maior de ações como o Ciclo, proporcionará a uma sociedade competitiva, o diferencial no cenário empresarial.

Além disso, é perceptível que a inovação, qualidade de vida, promoção de talentos, valorização do ser humano e a responsabilidade com o social, são receitas para desenvolver com sustentabilidade a sociedade como um todo. Isso gera maiores riquezas e oportunidades, sem comprometer o futuro. A implementação do Ciclo Social nesta empresa, fará com que esta prática social seja disseminada, tornando cada vez mais comum a mudança, para o impacto social.

Diante desta realidade, a comunicação tem papel essencial para a transformação da sociedade. Como base de toda relação, ela tem a função de integrar pensamentos, trocar experiências, mudar atitudes, definir comportamentos. A comunicação tem que disseminar a consciência de que ter responsabilidade social é muito mais do que ser um cidadão cumpridor de seus deveres e conhecedor de seus direitos. É sentir-se e ser responsável pelo bem estar de toda a sociedade e do meio ambiente.

Percebe-se o quão importante e estratégico é usar a comunicação como ferramenta transformadora para a mudança da realidade. O profissional de comunicação, muito mais que um especialista em sua área, deve ser um disseminador de esperanças e de concretização de sonhos. Ele é responsável por apresentar à sociedade possibilidades de mudanças na realidade vivida, através de pequenos atos, para juntos promoverem mudanças em todos os aspectos sociais.

Os profissionais de Comunicação devem rever seus conceitos acadêmicos e perceber o seu papel na gestão da cidadania, sendo agentes de mudanças dentro das instituições em que atuam. É preciso perceber que muito mais que ganhar dinheiro deve preocupar-se com a sociedade e no quanto o desenvolvimento desta influencia as organizações. É necessário ser ponte entre os interesses das empresas e as necessidades da sociedade, para que ambos cresçam de forma satisfatória.

Ao utilizar a Comunicação Integrada na implementação de um Ciclo de Gestão em Responsabilidade Social Corporativa, potencializa-se o impacto social a ser alcançado pelo programa desenvolvido na empresa. Esse novo olhar para a prática social, permite que cada vez mais empresas atuem como agentes de mudanças, contribuindo para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária.

 
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