O Primeiro Portal de Relações Públicas da Bahia

Em foco

Panorama Histórico das Relações Públicas na Bahia

Marcello Chamusca
Especialista em Educação Superior e Novas Tecnologias / Bacharel em Relações Públicas
Diretor do Portal RP-Bahia / Editor da RP em Revista, do boletim Orgulho de Ser RP, e do Guia de Relações Públicas na Internet / Membro dos Comitês Organizador e Científico da Cúpula Ibero-americano de Comunicadores, e do Conselho Editorial da Revista Alagoana de Relações Públicas
Coordenador geral da campanha nacional de valorização da profissão de relações públicas
geral@rp-bahia.com.br

Márcia Carvalhal
Especialista em Educação Superior e Novas Tecnologias / Bacharel em Relações Públicas
Diretora do Portal RP-Bahia / Editora-chefe da RP em Revista
Membro do Comitê Organizador da Cúpula Ibero-americano de Comunicadores
Coordenadora geral da campanha nacional de valorização da profissão de relações públicas
marcia@rp-bahia.com.br

 

No próximo dia 13 de abril se encerra o prazo para envio de artigos para o V Congresso Nacional de História da Mídia, que acontecerá entre os dias 31 de maio e 2 de junho de 2007. Neste congresso existe um GT de Relações Públicas coordenado pela Prof. Dra. Cláudia Moura. No último encontro deste GT de Relações Públicas da Rede Alcar, apresentamos os resultados de uma investigação que fizemos sob a coordenação do prof. Henrique Wendhausen. Trata-se do panorama histórico das relações públicas na Bahia, em que trazemos informações sobre o ensino, o mercado, a atuação local das entidades representativas de classe, as principais publicações, e algumas iniciativas locais que obtiveram visibilidade. Dentre estas informações estão as características da instalação do curso da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), o primeiro do estado; a controversa história da Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP-Seção Bahia); os livros publicados por editoras locais; a expansão do mercado com a criação e difusão dos novos cursos de RP no estado; e, algumas iniciativas relevantes de estudantes e profissionais de relações públicas na Bahia.

O ensino das relações públicas

O primeiro curso de relações públicas da Bahia foi o da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), criado em 1986, no mesmo período em que foi fundada a universidade. Por imposição do MEC, a instituição deveria ter um curso na área de Comunicação Social. A escolha do curso de relações públicas, no entanto, não se deu de forma consciente e pela importância da atividade para a sociedade local, mas sob o argumento de ser o curso mais viável economicamente, dentre as habilitações da Comunicação Social, visto que os outros cursos dependeriam de uma estrutura laboratorial muito mais cara para as aulas práticas requeridas para a formação profissional dos alunos (SOUZA NETA; LOBO, 2004).

Sendo que, segundo Souza Neta e Lobo,

A ausência de laboratórios para o curso de Relações Públicas seria, então, “compensada” por meio de um convênio existente entre a UNEB e o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), órgão também vinculado à administração estadual que, em tese, constituiria um campo de experimentação para os alunos, por meio da utilização de algumas de suas dependências, como ilhas de edição e estúdios de rádio (SOUZA NETA; LOBO, 2004, p. 5).

Ora, como suprir a carência laboratorial da área de relações públicas através de um convênio com uma emissora de rádio? Pela “solução” encontrada pelo corpo de professores encarregado da implantação do curso naquela época, percebe-se claramente a falta de conhecimento específico da área de relações públicas.

Mas, o maior equívoco da equipe de professores encarregada desta “difícil missão” ainda estava por vir, uma vez que precisariam justificar a escolha ao MEC e certamente não seria adequado dizer a verdade: que a escolha se deu por razões de viabilidade econômica, ou seja, porque para implementar o curso de relações públicas sairia muito mais barato para a instituição do que implementar qualquer outro curso da área de comunicação. Até porque, mesmo que os professores responsáveis pela implantação do curso quisessem ser honestos, argumentando em razão da verdade – como por sinal manda as premissas das relações públicas (coisa que certamente eles não sabiam) – este argumento muito provavelmente seria refutado pelo MEC, pois o curso de relações públicas não demanda uma estrutura laboratorial aquém dos outros cursos da área de comunicação. O que realmente acontece é que as pessoas não conhecem as competências e as atividades privativas atribuídas e exercidas pelos profissionais de relações públicas e, neste sentido, ignoram também a estrutura adequada para a instalação de um curso de qualidade.

O fato é que precisavam de um argumento e partiram, segundo Souza Neta e Lobo (2004), para uma pesquisa, tentando identificar uma demanda expressa para esta atividade no mercado local. Para isso, utilizaram como delimitação da área geográfica de atuação as empresas do Pólo Petroquímico de Camaçari, localizado na Região Metropolitana de Salvador. Contudo,

Talvez em razão da [...] reduzida absorção de mão-de-obra local, pelo fraco mercado consumidor regional, sem poder aquisitivo suficiente para consumir os novos produtos industrializados da região e da dependência dos investimentos do centro-sul do país para o escoamento da produção, a chamada filosofia de Relações Públicas não pôde ser detectada (SOUZA NETA; LOBO, 2004, p. 5).

Como o problema não foi resolvido através da pesquisa de mercado, em que se tentava detectar verdadeiramente uma demanda profissional para os egressos do curso escolhido pela instituição, a nova “solução” encontrada pela comissão de instalação do curso, segundo Souza Neta e Lobo, foi a seguinte:

A despeito do desconhecimento generalizado desse segmento industrial a respeito do que consistiria a atividade e a contribuição das Relações Públicas para os respectivos negócios empresariais, a pesquisa foi levada adiante, sendo reduzida à seguinte pergunta-filtro: “Você é a favor das Relações Públicas?” (SOUZA NETA; LOBO, 2004, p. 6).

Nas suas conclusões, Souza Neta e Lobo, observam que

Aprovar a implantação de um curso universitário com a implícita justificativa de que, dentre as opções levantadas, é a que menos despende valor econômico é uma prática grave, antiética e desabonadora do verdadeiro conceito de universidade (SOUZA NETA; LOBO, 2004, p. 7).

Nestas condições, portanto, foi instituído o primeiro curso de relações públicas na Bahia, condições estas, nada favoráveis ao desenvolvimento da profissão no estado.

Hoje, entretanto, duas décadas depois deste começo desfavorável, percebemos uma situação bem diferenciada, tanto no que diz respeito a oferta de cursos, quanto a diversidade de enfoques nas propostas pedagógicas destes cursos.

Talvez não seja redundante lembrarmos que o corpo docente dos cursos que nas décadas de 80 e 90 do século passado quase não contava com professores com formações específica, hoje já conta com mais de 50% dos seus quadros formados por professores com especialização ou mestrado na área.

Os cursos de Relações Públicas encontrados hoje na Bahia, por ordem cronológica, são: (1) Universidade do Estado da Bahia – UNEB (Salvador/BA); (2) Universidade Salvador – UNIFACs (Salvador/BA); (3) Unidade Bahiana de Ensino, Pesquisa e Extensão – Unibahia (Lauro de Freitas/BA); (4) Universidade Católica de Salvador – UCSal (Salvador/BA); (5) Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC ; (6) Faculdade Isaac Newton (Salvador/BA); e, (7) Faculdade Juvêncio Terra (Vitória da Conquista/BA).

Apesar do notório crescimento da demanda pela habilitação de relações públicas no estado e da qualidade dos cursos que vêm sendo oferecidos, como emergências dos discursos obtidos a partir das entrevistas que realizamos com 100 profissionais, dos quais 28 atuam na academia, levantamos muitas queixas e poucas sugestões, proposições e/ou indicações positivas, como se espera do egresso que atua na vertente acadêmica. Entre as queixas mais recorrentes estão: (1) falta de bibliografia específica; (2) falta de professores com formação na área; (3) falta de estágios na área; (4) falta de reconhecimento social; (5) os cursos não preparam para o mercado; dentre outras.

Já entre as proposições e/ou indicações positivas encontramos: (1) os cursos devem trabalhar mais as NTI; (2) o RP tem um grande diferencial na sua formação, pois tem uma visão global da comunicação; (3) as matrizes curriculares das universidades têm melhorado sensivelmente, o que tem provocado um aumento considerável na qualificação dos alunos; (4) há uma preocupação por parte do docente dos cursos com a qualidade; dentre outras.

Uma noção quase generalizada percebida pelo nosso estudo, a partir das sondagens com os egressos, é a de que as relações públicas são muito mais valorizadas nos estados do Sul e Sudeste que nos estados do Nordeste, como é o caso da Bahia. Contudo, isso é apenas o que emerge dos discursos, não temos dados concretos sobre este fato e, portanto, não podemos fazer uma análise qualificada desta situação, apesar de entender que esta quase unânime opinião deve significar, no mínimo, um indício de que esta percepção possa se configurar numa realidade para a nossa profissão no Brasil.

Assim, já tentando articular as questões voltadas à profissão de relações públicas na Bahia, faremos uma análise dos dados levantados até aqui, a partir das sondagens realizadas com os egressos que atuam na vertente do mercado.

O mercado de trabalho

Os resultados das nossas sondagens nos levam a hipótese de que o número considerável de cursos que surgiram nos últimos anos tem, naturalmente, forçado uma expansão do mercado local, seja para absorver a demanda dos egressos dos nove cursos oferecidos, seja pelos avanços percebidos a cada dia, com o considerável aumento do nível de consciência do empresariado local sobre a importância da atividade para a manutenção da qualidade dos relacionamentos com seus públicos estratégicos e todos os benefícios provenientes da imagem positivada por um processo de relações públicas numa organização.

Apesar dos notórios avanços citados, entretanto, é muito comum no meio da comunidade de Relações Públicas escutarmos queixas de insatisfação e/ou a respeito da sensação de desvalorização da profissão por parte de empresários e governantes, o que, a nosso ver, já faz parte do discurso identitário do profissional de relações públicas e do habitus da categoria.

Em relação aos concursos públicos específicos para a área de RP realizados no estado, levantamos através de pesquisa documental que as organizações que costumam oferecer vagas regularmente são as Forças Armadas (na Marinha e no Exército), a Polícia Militar, a Petrobrás e a Embrapa.

Também a partir das pesquisas documentais descobrimos que a profissão de relações públicas se instituiu na Bahia muito antes da chegada dos cursos de graduação, uma vez que, como veremos mais a frente, a Seção Baiana da Associação Brasileira de Profissionais de Relações Públicas foi fundada 11 anos antes da implementação do primeiro curso, o que nos leva a constatação de que neste período já existia uma considerável atuação de profissionais no mercado, num estágio tal de mobilização, a ponto de instituir uma seção local da associação nacional da categoria.

As emergências dos discursos dos profissionais entrevistados que atuam na vertente de mercado também nos coloca diante da constatação de que a categoria tem o hábito natural da queixa e da reclamação sobre a sua condição de profissional não-reconhecido socialmente. Entre as queixas mais recorrentes podemos destacar: (1) retração do mercado; (2) falta de reconhecimento social; (3) desconhecimento das empresas sobre a profissão; (4) falta de uma atuação mais significativa das entidades representativas de classe; (5) disputa de mercado com os jornalistas; dentre outras.

Vale ressaltar, entretanto, que nem tudo são queixas e reclamações, emergiram dos discursos vários aspectos positivos, tais como: (1) reconhecimento de que o mercado está em franca expansão; (2) há cada vez mais opções para qualificação na área; (3) o mercado local tem carência das atividades privativas de RP; dentre outras.

Acreditamos que o mercado baiano, de fato ainda é bastante retraído. Contudo, não há como negar que está em franca expansão e a cada dia ganha espaço, sobretudo, nas organizações governamentais e não-governamentais (sem fins lucrativos).

Sobre as queixas em relação às entidades representativas de classe, de fato, como veremos no tópico a seguir, os profissionais baianos têm mesmo razão para reclamar, não obstante a situação precária que se encontram ser, em grande parte, culpa da sua própria falta de consciência de classe e desarticulação. A Bahia tem atualmente em torno de 1.400 Bacharéis em Relações Públicas, uma vez que a pesquisa realizada pelas colegas Patrícia Silva, Suylan Fukumaru e Thaíse Mascarenhas (Unidade Bahiana de Ensino, Pesquisa e Extensão – Unibahia) como trabalho de conclusão de curso levantou que, até o final de 2004, 1099 profissionais de relações públicas foram formados na Bahia. O fato é que apesar de termos em torno de 1.400 (mil e quatrocentos) profissionais formados, no último levantamento a que tivemos acesso (julho de 2005) a Bahia tinha apenas 153 profissionais registrados no Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas (CONRERP) e destes 153, apenas 69 estavam em dia e 84 inadimplentes.

Entidades de classe

A Bahia não tem atualmente nenhuma entidade representativa da classe de relações públicas no seu território, uma vez que a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP) teve a Seção Estadual da Bahia fundada em 17/01/1975 e devido a problemas internos de gestão foi fechada e encontra-se inativa há vários anos. Muito se especula em relação aos motivos do “fechamento” da ABRP/Seção Bahia, contudo a versão oficial, obtida a partir da atual direção da ABRP Nacional, é a seguinte:

Com a realização do Congresso Brasileiro de Relações Públicas (CONBRARP) em Salvador, em 1998, a então presidente Patrícia Linck, deixou de pagar compromissos assumidos com o Bahia Othon Palace Hotel. A ABRP/Nacional, na época, fez inúmeras tentativas de localizar a então presidente para resolver a questão, sem êxito. Patrícia Linck, desde então, desapareceu e continua desaparecida até hoje. Diante desta situação não resolvida, ninguém aceitou assumir a Seção ABRP-Bahia. É preciso esclarecer, entretanto, que não houve um fechamento oficial. Estamos tentando, com um grupo de profissionais de Salvador resolver a questão (professor Esnel em entrevista concedida por e-mail, em abril de 2006).

Já em relação ao Conselho Regional dos Profissionais de Relações Públicas (CONRERP), o profissional baiano é ligado à 3ª região, com sede em Minas Gerais. Há aproximadamente sete anos foi instituída uma comissão formada por um grupo de profissionais para articular a instalação da 10ª Região do Conselho no Estado da Bahia, que ainda não obtive êxito. Recentemente, mais precisamente no dia 1º de abril de 2006, que ficou conhecido nacionalmente como o Dia da Verdade para o Profissional de Relações Públicas da Bahia, foi organizada uma reunião para revitalizar esta comissão, com a presença da então presidente da 3ª Região e atual presidente do Sistema Conferp, Angelina Gonçalves, instituindo uma nova coordenadora para o grupo, a professora Sheila Vasconcelos, que teve a difícil missão de liderar o grupo para implementar o conselho na Bahia até o final do ano de 2006. Infelizmente a professora Sheila não obteve êxito.

Além da professora Sheila Vasconcelos, participam da comissão Eliene Macedo, Eliezer Cruz, Fabiana Bartira Brito, Ianne Vilas Boas e Marcelo Gentil. Este grupo que tem se reunido frequentemente solicitou e obteve o apoio incondicional do Portal RP-Bahia.

Algumas iniciativas e projetos de visibilidade

Um dos mais importantes capítulos da história das relações públicas na Bahia, certamente, envolve o XV CONBRARP (Congresso Brasileiro de Relações Públicas), realizado durante os dias 5, 6 e 7 de agosto de 1998 em Salvador/BA. Primeiro porque foi exatamente este o evento que teria provocado o “fechamento” da ABRP/Seção Bahia, conforme vimos no tópico anterior. Segundo porque foi neste evento que a diretoria do CONFERP julgou oportuno tornar público as Conclusões do Parlamento Nacional de Relações Públicas, que foi um esforço nacional organizado pela categoria em diversos encontros ao longo de quatro anos, sob o comando do Conselho Federal. Este parlamento tinha o intuito de modernizar a atividade adequando-a as exigências dos novos tempos.

Segundo o documento, o fato da profissão estar regulamentada há mais de trinta anos através da Lei 5.377, de 11 de dezembro 1967, no meio de uma sociedade e de uma economia com características absolutamente diferentes às já observadas naquela época, a profissão de Relações Públicas cuja função precípua é orientar para aperfeiçoar estrategicamente a interação dos elementos componentes da sociedade e da economia, exigia uma profunda reflexão para melhor cumprir suas finalidades. Durante quatro anos, portanto, profissionais de Relações Públicas de todo o Brasil, que se interessaram em projetar um futuro melhor para sua profissão, tiveram a possibilidade de manifestar suas dúvidas, inquietações, insatisfações e posicionamentos. O documento reflete posições sobre a regulamentação da profissão e registro profissional, campo conceitual, formação profissional, instituição de um conselho único, confusões na nomenclatura e na divulgação da própria profissão, além de diversas outras questões legais e éticas.

As principais publicações

Até o momento foram encontrados quatro livros editados na Bahia na área de relações públicas. A saber:

1) FREIRE, Patrícia A. O. (org.) et all. Relações Públicas e Marketing - A união perfeita para a comunicação estratégica. Salvador: Ed. FIB, 2003.

2) FREIRE, Patrícia A. O. (org.) et all. Relações Públicas em Turismo. Salvador: Ed. FIB, 2002.

3) OLIVEIRA, Vera R. L. Noções Básicas de Relações Públicas. Salvador: Ed. Contemp, 1987.

4) SOUZA, Lícia Soares e SOUZA, João Cláudio. Turismo Sustentável – Cultura – Relações Públicas – Qualidade. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo/Empresa Gráfica da Bahia, 2002.

Dentre estas quatro publicações, o único que não estava disponível e não conseguimos adquirir foi a terceira, Noções Básicas de Relações Públicas, de Vera Oliveira.

Considerações Finais

Acreditamos que as informações levantadas na nossa pesquisa, nos dão um razoável panorama da história das relações públicas na Bahia sob as perspectivas do ensino e do mercado de trabalho da profissão, ressaltando o seu caráter exploratório e, por conseqüência, bastante abrangente.

Percebemos que a história das Relações Públicas na Bahia é repleta de equívocos que perpassam tanto a área acadêmica quanto o mercado de trabalho e seus profissionais. Mas que, mesmo com tantos elementos complicadores e desfavoráveis, a profissão vem se ampliando no estado, crescendo tanto em número de cursos, quanto em participação no mercado de trabalho.

Na vertente do ensino, vimos em que contexto e sob que condições foi instalado o primeiro curso, o da UNEB, que optou pela habilitação em relações públicas, por ser o mais viável economicamente. Pensado por uma equipe que não tinha o menor conhecimento da profissão e fundamentado numa pesquisa com métodos bastante questionáveis.

A despeito deste começo desestimulante, o ensino de relações públicas na Bahia avança não só em número de cursos (como já ressaltamos), mas, sobretudo, em qualidade, uma vez que a cada dia o número de professores com formação específica na área aumenta e as matrizes curriculares de aprimoram, formando profissionais cada vez mais qualificados não só para o mercado de trabalho (ações práticas), mas para a academia (pensar o processo teórico das relações públicas).

Já o mercado de trabalho, apesar de ainda haver uma certa retração causada sobretudo pela falta de consciência do empresariado a respeito da importância da profissão, percebemos que este se encontra em franca expansão, com um campo muito fértil para se cultivar.

Com referência as entidades representativas de classe, apesar da história depor contra os baianos em todos os sentidos, a comunidade tem buscado uma reação e se mobilizado em torno da consciência de classe, para reassumir o controle da sua própria história, tanto em relação ao conselho (CONRERP), quanto em relação a sua associação de classe (ABRP).

A produção bibliográfica ainda é insipiente em relação ao resto do Brasil, sobretudo, se tomarmos como referência as regiões Sul e Sudeste do país, mas, em compensação, a Bahia revelou uma das iniciativas de maior repercussão dos dois últimos anos, o Portal RP-Bahia, que proporcionou ao estado uma maior visibilidade entre estudantes e profissionais de relações públicas e áreas afins.

Acreditamos, portanto, que as relações públicas na Bahia avançam de forma significativa, visto que a comunidade local tem buscado na mobilização a força para suas lutas, vencendo os ranços históricos e culturais, e galgando resultados consideráveis frente aos desafios impostos pela nova configuração do mundo contemporâneo.

Referências

PORTAL RP-BAHIA. Portal de Relações Públicas. Disponível no endereço: <http://www.rp-bahia.com.br>. Acessado em 24 de abril de 2006.

SOUZA NETA, Joanita Nascimento; LOBO, Júlio César. Descaminhos das Relações Públicas na Bahia: bastidores de uma institucionalização. Trabalho apresentado no GT História das Relações Públicas no II Encontro Nacional de História da Mídia, Florianópolis, 2004.

CONSELHO FEDERAL DE RELAÇÕES PÚBLICAS – CONFERP. Conclusões do Parlamento Nacional de Relações Públicas. Documento divulgado durante os dias 5, 6 e 7 de agosto de 1998, quando realizou-se em Salvador/BA, a XV edição do CONBRARP – Congresso Brasileiro de Relações Públicas.

FREIRE, Patrícia Andréa de Oliveira (Coord.) at all. Relações Públicas e Marketing – A união perfeita para a comunicação estratégica. Salvador: Editora da Faculdade Integrada da Bahia - FIB, 2003.

__________ (Coord.) at all. Relações Públicas em Turismo. Salvador: Editora da Faculdade Integrada da Bahia - FIB, 2002.

 

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