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RP e Marketing: semelhanças e divergências
Esta
é uma publicação voltada para a área
de relações públicas, o que não
nos impede de ver o marketing como um processo legítimo,
que visa entender a dinâmica do mercado e as nuances
da opinião pública, para transformar o esforço
de vendas em algo inútil, na medida que seu foco
não se encontra no produto ou serviço que
se pretende vender, mas no cliente e suas necessidades.
Do
ponto de vista crítico-histórico Relações
Públicas e Marketing têm muitas semelhanças.
As duas profissões surgem do âmago do capitalismo
neoliberal do século XX, com a missão de colaborar
com o agigantamento do mercado e o controle da opinião
pública; com o enriquecimento das elites industriais
e o controle dos atores sociais reivindicativos (operariado
rebelde); com o fortalecimento das políticas burguesas
patrimonialistas e o enfraquecimento das políticas
públicas e sociais, enfim, tristes semelhanças
históricas são comuns as duas profissões.
As
semelhanças continuam no contexto histórico
atual, em que uma nova configuração das organizações
sociais se formata impondo transformações
significativas para o exercício das duas profissões.
Na área do marketing surgem termos como marketing
social, marketing solidário, dentre outras terminologias
que, a priori, seriam inconcebíveis pela incompatibilidade
intrínseca dos termos. Na área de relações
públicas surgem os pertinentes conceitos trazidos
por Cicília Peruzzo, de Relações Públicas
Populares e Relações Públicas Comunitárias,
em que a autora subverte o papel tradicional da profissão
de mera mantenedora do status quo da elite dominante
e utiliza as técnicas de relacionamento e comunicação
em prol do interesse público e do bem-estar social.
Até
nas divergências as relações públicas
e o marketing são semelhantes, uma vez que o maior
ponto de discórdia entre essas duas profissões
está na questão das competências de
cada uma dentro de uma organização. Nota-se
que nos últimos anos, os autores de marketing, no
afã de buscar novos conceitos e terminologias para
enriquecer a sua teoria e fortalecer a sua profissão
cometeram equívocos formidáveis. Um exemplo
disso é o famigerado termo "endomarketing",
que se trata de uma despudorada apropriação
das atividades de relacionamento com o público interno,
tradicionalmente exercidas pelos relações
públicas nas organizações. O
fato é que as relações públicas
devem conviver harmoniosamente com o marketing, uma vez
que são atividades complementares e convergentes.
O que não quer dizer que as relações
públicas devem abrir mão das suas competências
no âmbito das organizações ou mesmo
no âmbito da sociedade como um todo, ao contrário
disso, deve mostrar que são necessárias e
imprescindíveis no mix administrativo-comunicacional
de uma organização contemporânea.
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