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Em foco

Traçando semelhanças e diferenças entre RP e RH

Andrea Menezes
Graduada em Relações Públicas
Pós-graduanda do MBA em Gestão de Recursos Humanos
Membro do Núcleo de Integração Trabalho Escola
nite@fapes.org.br


Objetiva-se discutir aqui questões que rondam as Relações Públicas (RP) e os Recursos Humanos (RH). Ambas são atividades antigas, mas que só ganharam força a partir do final do século XX recebendo a influência de modelos norte-americanos.

A expressão Recursos Humanos começou a ser utilizada só a partir do início dos anos 70 e, apesar do grande uso de tal termo no cenário atual, alguns autores como Chiavenato (2002) afirmam que “a Administração de Recursos Humanos cedeu lugar a uma nova abordagem: a Gestão de Pessoas”. Através desta abordagem, tem-se a visão das pessoas como parceiras da organização e não como meros recursos (humanos) a serem utilizados da forma mais eficiente possível.

Já as atividades de Relações Públicas se profissionalizaram durante os anos 50. Em 1955, Relações Públicas foi introduzida como disciplina em São Paulo, na ESAN, Escola Superior de Administração de Negócios, o que contribui para a proximidade entre RP e RH, já que esta área também surgiu nos cursos de graduação como disciplina de Administração – Teobaldo de Andrade (1983) refere-se à profissão de RP como uma função administrativa. As primeiras faculdades de Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas surgem apenas no final dos anos 60.

Nos últimos anos, tem-se discutido o ensino de Administração e de Relações Públicas no Brasil e a reformulação da grade curricular, mas pouco foi feito. Tais discussões proporcionam condições para o exercício de uma gestão organizacional mais humanizada, com foco nas pessoas. Neste caso, segundo Crawford (1994), o capital humano revela-se como o grande diferencial competitivo.

No que diz respeito ao mercado de trabalho, percebe-se que há grande procura pelos profissionais de Recursos Humanos enquanto que aos Relações Públicas ainda não é dada a devida importância.

O profissional de RH deve estar apto para tratar do recrutamento, seleção, capacitação e treinamento de pessoal, avaliação de desempenho, análise e descrição de cargos, plano de carreiras e benefícios, política salarial, bancos de dados e sistemas de informações. Enquanto o RP divulga a empresa, seus atos e objetivos, identifica seus públicos, ouve-os para saber como a organização é vista e para conhecer seus interesses, apóia, orienta e assessora todas as áreas da instituição quanto à forma mais adequada de se relacionar com os diversos públicos. Enfim, ele exerce uma função estratégica importante nas organizações modernas ao planejar e executar sua comunicação e seus relacionamentos. E, assim como o RH, trabalha para que haja um clima organizacional satisfatório tanto para a organização como para seu público interno.

Ambas as profissões lidam com gestão de pessoas e visam, entre outras coisas, a produtividade, eficiência e eficácia organizacional, precisando ocupar cargos hierárquicos elevados e ter contato com todos os integrantes da instituição. Então, por que não lançar mão da interdisciplinaridade? Esta seria uma das formas de trazer pontos em comum de um conhecimento para o outro. Através dela não se monta um mosaico de teorias, ao contrário, age-se como um alquimista, mesclando os diferentes conhecimentos de maneira criteriosa, a fim de obter um trabalho homogêneo, coeso e de bases mais sólidas. Ou por que não se beneficiar do trabalho em conjunto? Apesar das muitas semelhanças, é visível a diferença do trabalho desempenhado por cada profissional, daí a importância de se ter o apoio de ambos para o sucesso organizacional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Cândido Teobaldo de Souza. Para entender Relações Públicas. São Paulo, Loyola, 1983. P. 161-167.

CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos. 7. ed. São Paulo, Atlas, 2002.

CRAWFORD, Richard. Na era do capital humano: o talento, a inteligência e o conhecimento como forças econômicas; seu impacto nas empresas e nas decisões de investimento; um guia que mostra como prosperar na economia. Trad. Luciana Bontempi Gouveia. São Paulo, Atlas, 1994.

GURGEL, João Bosco Serra. Cronologia da evolução histórica dos relações públicas. In: FRANÇA, Fábio. Relações Públicas: visão 2000. São Paulo.

KUNSCH, Margarida M. Krohling. Palestra: Novos desafios para o profissional de comunicação. 1996.

MENEZES, Andrea e Grasiele Vivas. Interdisciplinaridade entre os cursos de Comunicação e Administração. Salvador, 2003. Relatório (Graduação em Comunicação Social com ênfase em Relações Públicas) – Departamento de Ciências Humanas, Universidade do Estado da Bahia.

TOLEDO, Flávio. O que são Recursos Humanos. São Paulo, Brasiliense, 1982.

VERGARA, Sylvia Constant. Gestão de pessoas. 2. ed. São Paulo, Atlas, 2000

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