Segunda análise

Desta vez vamos comentar sobre a matéria que saiu na REVISTA IMPRENSA de março, que analisa a pesquisa encomendada pela própria revista, em parceria com o Maxpress e a Aberje, coordenada pelo departamento de pesquisas da Aberje. A pesquisa analisou, dentre outras coisas, qual o profissional mais adequado para a atividade de assessoria de imprensa, com base em sondagem com os jornalistas de redação. Não tinha como dar resultado diferente: "deu jornalista na cabeça" disse vibrando (como se comemorasse um gol da Seleção Brasileira na Copa do Mundo) a jornalista Denise Moraes, responsável pela matéria.

É importante salientar que esta postura parcial não é um "delírio solitário" de Denise Moraes, assim também age a maioria dos jornalistas entrevistados.

No universo de entrevistados pela Aberje (nesta pesquisa que gerou esse tipo de resultado) estão 43% de jornalistas que já foram ou são assessores e 88% que são ou têm interesse em ser. O resultado não poderia ser outro. Foi como perguntar as rapousas: Sra. Rapousa a senhora acha que a chave do galinheiro deve ficar com as rapousas ou com o segurança do galinheiro? Não é muito difícil imaginar quais seriam os dados desta pesquisa não é mesmo?

Como eu disse a Denise (jornalista que assina a matéria) em entrevista, acho muito triste ver que apenas 12% dos entrevistados são jornalistas por vocação e querem fazer o verdadeiro jornalismo (de redação) até o final da sua vida.

Mas sou um eterno otimista! Percebi, ainda que um pouco estupefato, em meio aos números estapafúrdios desta pesquisa, que ainda há resquício de bom senso, pelo menos em 12% dos entrevistados... Visto que a Revolução Cubana começou com sete homens, ainda temos como sonhar e ter esperança de um futuro melhor para o jornalismo e para as relações públicas no Brasil.

Obs.: Fui fonte nesta reportagem e gostaria de esclarecer um detalhe que Denise (sem querer) se equivocou. A seção "denuncie o exercício ilegal" do Portal RP-Bahia não foi, definitivamente, criado para "denunciar jornalistas" como afirmou na sua matéria, mas para denunciar o exercício ilegal da profissão, afinal a profissão de relações públicas é regulamentada por uma lei e exige formação na área e registro profissional para o seu exercício. Da forma que ela falou, daqui a pouco ficarei rotulado como o carrasco de jornalistas e, definitivamente, isso não corresponde com a verdade. Tenho professores e grandes amigos jornalistas. Além disso, tão logo seja possível pretendo me formar em jornalismo, pois admiro muito o oficio de jornalista e o dia-a-dia de uma redação.

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Marcello Chamusca
11/03/2006


COMENTÁRIOS DOS INTERNAUTAS


O RP é um profissional completo que conquista espaços variados no mercado de trabalho, devido ao seu perfil e capacitação profissional! Cabe a nós assumir as nossas funções, sendo uma delas assessor de comunicação ou imprensa (como queiram), vamos também assumir...

Mensagem enviada por:
Gisele Morbi no sábado, 25 de março de 2006 às 21:18.


Sinceramente?

Eles que façam, então, Assessoria de Imprensa.

Uma boa Assessoria de Imprensa está intima e diretamente ligada à quantidade e qualidade do trabalho desenvolvido pelas organizações, que, por sua vez, passam diretamente pela qualidade da comunicação desenvolvida junto a todos os públicos e especialmente aos públicos estratégicos da organização. e isso quem faz, caríssimos colegas e amigos, são os relações públicas.

Se o produto ou serviço oferecido pela empresa for ruim, se a comunicação interna da empresa for ruim, se a comunicação com a comunidade for ruim, se a comunicação com o cliente for ruim, se o relacionamento com o governo for ruim, se o relacionamento com fornecedores, representantes, revendedores, distribuidores, terceirizados, instituições em geral for ruim... O que vai restar para a Assessoria de Imprensa fazer? Tentar convencer os jornalistas das publicações segmentadas que a organização é MA-RA-VI-LHO-SA? Tentar convencer os jornais e revistas que, apesar da organização ser uma negação em praticamente tudo, é a melhor fonte a ser consultada, a melhor referência a ser citada em matérias que envolvam o mercado em que ela atua?

Fala sério! Se os RP não fizerem o trabalho pesado, de mexer no núcleo dos relacionamentos e da comunicação da organização e apoiar os programas de qualidade total e os planejamentos estratégicos, simplesmente não vai ter muito o que fazer na assessoria de imprensa, além de ficar tentando driblar o assédio dos vampiros, que estão sempre atrás da desgraça alheia e cavoucando no lixo do vizinho.

Além do mais, os nossos colegas jornalistas estão sofrendo bastante com a falta de espaço de trabalho, estão recebendo salários quase indignos, justamente pelo excesso de oferta de mão-de-obra, e não é todo dia que aparecem grandes estrelas do jornalismo que são disputados a tapa pelas empresas de comunicação.

Embora, para ser sincera, eu não acredite que a atividade de assessoria de imprensa vá realmente ficar sacramentada como sendo de jornalistas, em função da visão global e estratégica que o RP apresenta, caso isso venha a acontecer, nem lamentem tanto. Abrem-se novos espaços para os Relações Públicas, o mercado cada vez mais tem condições de ver que nossa colaboração é inestimável nas mais variadas situações, agora, especialmente, no gerenciamento de crises; no desenho de cenários e tendências; na intermediação de relações internacionais; na viabilização do terceiro setor; no planejamento e gerenciamento de sistemas tecnológicos de comunicação; na gestão, produção e execução de mega-eventos; no apoio ao desenvolvimento e profissionalização dos setores turístico, cultural, esportivo e de lazer em geral, entre tantas outras áreas. São inúmeras as portas e janelas que se abrem à nossa frente e que descortinam um futuro promissor a todo profissional de Relações Públicas que tenha levado sua formação a sério e continue investindo no desenvolvimento de novas habilidades e competências, sempre necessárias num mundo em permanente evolução e mudança.

Enfim, só espero que, se a atividade de Assessoria de Imprensa passar a ser privativa de jornalistas, que seja para ser feita, sempre, de igual para melhor do que já era feito. E que os Relações Públicas continuem galgando seus degraus rumo ao crescimento da profissão e, principalmente, do sucesso de suas atividades, do seu trabalho, para que as Assessorias de Imprensa continuem, sempre, tendo muito material, e de qualidade, que auxilie no trabalho de relacionamento com a imprensa.

Mensagem enviada por:
Ana Manssour na quarta-feira, 22 de março de 2006 às 11:49.