As Babéis modernas ou “O primeiro caso de falta de
RRPP"
Gênesis,
11 - A confusão das línguas
7. Eia, desçamos, e confundamos ali a sua língua,
para que não entenda um a língua do outro.
8. Assim, o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda
a terra, e cessaram de edificar a cidade (e a torre).
9. Por isso se chamou Babel (confusão).
Babel foi o primeiro empreendimento humano, em termos de organização,
cujo fracasso ocorreu por problemas de comunicação
e poder. Eu diria, pela vivência como consultor de organização,
que o "castigo do Senhor sobre os descendentes de Sem"
persiste até hoje na maioria das empresas e governos ditos
modernos.
Inúmeros
são os dirigentes atuais sem consciência desse fator,
justificando seus problemas através de outras causas. Falam,
destacam e colocam em moda as gestões de produção,
financeira, custos, potencial humano, marketing e pesquisa e desenvolvimento.
Porém, esquecem-se do elemento do amálgama de todos
esses outros componentes: a comunicação/poder, como
processo e resultante, através do agir e do dizer. O pouco
que têm valorizado essa função é sob
a ótica da publicidade e da promoção de vendas,
onde a presença do mito obscurece a realidade. A essência
da comunicação e sua relação intrínseca
com o exercício do poder, edificadora da estrutura organizacional
interna e integradora dos interesses da empresa com os dos diversos
outros públicos, que não somente os consumidores,
é colocada em segundo plano.
Assim,
as organizações públicas e privadas defrontam-se
hoje em dia com conflitos internos e externos, notícias
negativas na mídia, boatos, alta rotatividade de pessoal,
desleixo com o ferramental e bens da organização,
operações tartarugas, grupos de pressão,
greves, ações na justiça e até convulsões
sociais como quebra-quebras e sabotagens. Tudo impedindo melhores
níveis de produção, de produtividade e qualidade
e, com isto, reduzindo o poder competitivo da organização
frente as suas concorrentes. As organizações públicas
não perdem seu mercado por possuírem o monopólio,
mas ganham o desprezo dos cidadãos.
Os
dirigentes, em distintos níveis, não percebem que
a existência da organização e toda sua estrutura
de decisões não dependem somente da legalização
perante o órgão público concedente. Necessitam,
também, que suas decisões e ações
intrínsecas às mesmas sejam legítimas e percebidas
como tal pelos diversos públicos. Isto é, que impliquem
o bem comum do todos os envolvidos com as consequências
das mesmas. Ora, isso somente é possível se a organização,
além de estar em troca constante de informações
com seus públicos, aja de acordo com as expectativas dos
mesmos e, quando não o fizer, se justifique através
de explicações.
Babel
era assunto público (comum) entre o povo de Sem e o Senhor.
Aquele não se explicou e este não se agradou da
decisão tomada pela "organização".
Por isto e, também, por ter mais poder, o Senhor desmobilizou
todo o empreendimento. Atualmente empresas desaparecem dos mercados
e seus membros são "espalhados pelo mundo" por
reações do "Senhor público".
Por
tudo isto, é relevante que os dirigentes voltem suas atenções
à função de comunicação/poder
das suas empresas, caso desejem evitar conflitos com seus públicos,
previnir lítígios no Judiciário e persistir
nos mercados.
Lembrem-se,
faz muito tempo, que novas "tábuas" chegaram
à terra com o Código de defesa do consumidor, e
frequentemente o governo coloca à disposição
da sociedade normas que acrescentam pressões sobre as decisões
organizacionais.
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