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RP na Era da Responsabilidade Social

ROBERTO FONSECA VIEIRA

Autor e/ou organizador dos livros "Relações Públicas: Opção pelo cidadão", "Comunicação Organizacional: Gestão de Relações Públicas" e "Jornalismo e Relações Públicas: Ação e Reação, uma perspectiva conciliatória possível". Professor da Universidade Estácio de Sá.

(I) RESPONSABILIDADE SOCIAL E CIDADANIA
QUE EM NOME DA FICÇÃO MANDA LADEIRA ABAIXO...
E NA BICA DO REAL NENHUMA GOTA: EIS A QUESTÃO!

A Responsabilidade Social “A GENTE VÊ POR AQUI, PLIM! PLIM!”. O ‘slogan’ nos remete a um contrário de atitudes, cujo discurso não se coaduna com a prática, pois no dia 03 de Abril de 2008, em matéria levada ao ar pelo programa “Vídeo Show”, e sob o título e chamada: destaque abaixo.

“Alagamento na Malhação!
Qui, 03/04/08 por Videoshow | categoria Bastidores, Malhação | tags Nivea Stelmann
Nivea Stelmann encarou chuva e lama para mostrar os bastidores das cenas da novela. Nossa repórter conta como equipe técnica, diretor e elenco fazem para parecer que a tempestade é de verdade, com direito a relâmpago e tudo!
[ver www.globo.com/videoshow]”.

Nesse contexto dos contrários, portanto emerge nossa preocupação. Responsabilidade Social e Cidadania ou jogo de retórica para construção de um “Q de Qualidade?” O que dizer quando 60.000 (sessenta mil) litros de água correm ladeira abaixo, em nome da ficção? Eis a questão. Realmente é isso que chamaríamos de Responsabilidade Social? É ver para crer!

Quando nossa reflexão emerge aos contrários do discurso produzido, esse é o momento onde fica nossa grande questão. Pois, do ponto de vista dos segmentos midiáticos o compromisso social, por estes assumidos, e em suas origens, devem dimensionar serviços a sociedade voltados para suas relações de interesse público, até porque, igualmente, em suas atitudes, podem conduzir seus discursos e práticas para a eminência de um jogo de retórica, enquanto instrumento de poder, sobretudo sem estarem apoiadas numa linguagem de relato veraz. Nesse sentido mais uma vez alertamos, se o convencimento estiver baseado em fatos verídicos, será benéfico e terá vencido a razão. Mas, se ao contrário partir de argumentos falsos se consistirá em puro ‘sofisma’. Portanto o que pensar desse contrário?

Nosso alerta, fundamenta-se, não só nos conceitos já produzidos sobre Responsabilidade Social, como em outros segmentos dimensionados ao longo do tempo. Neste caso reportei-me ao disposto no artigo publicado por Emerson José de Souza (Revista Linha Aberta-Flórida, USA, Fevereiro de 2003) momento em que o autor nos faz pensar e diz: “O planeta água pede socorro! O consumo de água sem controle representa um desperdício que pode se controlado. As reservas de água doce do planeta estão sendo ameaçadas devido ao crescimento da população mundial, seu consumo excessivo e o alto nível de poluição. Poucos desconhecem e alguns se fazem ignorantes à esta realidade preocupante de uma possível crise de água potável, onde esse recurso natural indispensável, pode tornar-se uma mercadoria tão cara quanto o petróleo, podendo com isto, causar disputas e guerras por fontes e reservas d'água.”

Ainda no contexto, Souza pergunta e aponta para reflexão de algumas questões.

“Tipo: Você sabia? Para se produzir um quilo de papel são usados 540 litros de água; Para se fabricar uma tonelada de aço, são necessários 260 mil litros de água; Que em média, um homem tem aproximadamente 47 litros de água em seu corpo e que o mesmo deve repor o líquido em cerca de 2 litros e meio por dia”.

O alerta permanece e repetimos! O discurso nem sempre condiz com a prática, o que se torna um problema muito sério, sobretudo quando os ensinamentos e encaminhamentos são montados em ‘receitas de bolo’ como construção de linguagem, e somente em casos de sucesso.
E para pensar vejam o que dizem: Carlos Augusto de Alcantara Gomes Prof. Adjunto da Escola Politécnica da UFRJ Membro da Academia Brasileira de Meio Ambiente; e Ligia Vianna Mendes Profª Titular da CEFET e ABMA Membro da Academia Brasileira de Meio Ambiente.

“Como o Planeta Terra é chamado por nós de Planeta Água, devido a sua constituição ser de ¾ de água, porém de toda esta água 97% é de água salgada e apenas 3% de água doce. Desses 3% apenas 1% é de água potável. Diante desde fato é sensível a necessidade de uma política educacional que leve a conscientização da necessidade do não desperdício de água doce no planeta. Cita-se que a cultura do desperdício no Rio de Janeiro atinge um total de 40% da água tratada disponível. Não se entende o que seja preservação e conservação do planeta em função da água. A Constituição Brasileira no seu Art. 225 descreve "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público o dever de defendê-lo à coletividade o de preservá-lo para as presentes e futuras gerações."

Portanto, fica aqui, mais um alerta aos nossos profissionais: “o olhar crítico não faz mal a ninguém, pelo contrário mais aprendemos”. Permite-nos dizer: Considera-se uma organização socialmente responsável quando seu discurso não fica na esfera da singularidade, ou seja, há uma visão além da realidade de mercado, prevalecendo “a recusa em ganhar fazendo perder toda sociedade”, é o que nos alerta Jean-François Chanlat. Tal visão legitima-se por intermédio dos programas e projetos sociais e seus impactos sociais. No caso, nos parece que: “em nome do espetáculo da produção, o valor da vida ficou na contramão”.


Outros artigos desse autor:

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A comunicação de atitude dialógica nas relações multiplas e recíprocas entre a organização e a comunidade: A verdadeira responsabilidade social

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