Relações Públicas na Esfera Social
A
organização, ao incorporar a Responsabilidade Social
na sua gestão, compreende fazer mudanças na sua
cultura organizacional e comportamental, e a comunicação
torna-se elemento-chave nesse processo.
Numa
gestão de comunicação integrada dentro da
organização, as Relações Públicas
desenvolvem um papel importante nessa transição,
como agente facilitadora de compreensão da nova filosofia
gerencial, por todos os públicos-alvo de maneira a socializá-los,
na qual envolve novos conceitos e metas. Nesse sentido, suas atividades
compreendem planejar e conduzir tal mudança através
do diálogo, visando uma aceitação maior junto
à sociedade, como também aumentar a força
competitiva (Vieira, 2004).
Por
conseguinte, na função de apoiar a administração
das organizações, as Relações Públicas
visam multiplicar os impactos sociais provocados pelas ações
sociais, agregando valor e ganho de idéias e imagem a todos
os atores envolvidos.
Segundo,
(Kunsch 2003), o desígnio de Relações Públicas
é a organização e os seus públicos,
objetivando promover e administrar relacionamentos, e mediar conflitos
por meio de estratégias e programas de comunicação,
levando em consideração situações
reais do âmbito nacional.
Tais
estratégias visam apresentar resultados quanto ao posicionamento
da organização perante a sociedade e demonstrar
sua missão, valores, filosofia, identidade e como desejam
ser vistas no futuro. Por meio de canais de comunicação,
as Relações Públicas buscam confiança
mútua, construir a credibilidade, valorizar a dimensão
social e fortalecer o lado institucional da organização.
Essa
atividade, também contribui com o cumprimento da responsabilidade
social das organizações. Além dos objetivos
econômicos, as organizações têm que
se posicionarem institucionalmente e assumirem, como missão,
a prestação de contas à população,
com abertura de fontes de informação e transparência
das ações, para contribuir na construção
da cidadania.
Dentro
do contexto da sociedade contemporânea, com suas tendências
básicas, econômicas, culturais e sociais, as relações
públicas devem cumprir seu papel social ajudando a organização
na conscientização da ação socialmente
responsável, visando benefícios mútuos: organização
e comunidade.
Essa
comunidade, como público externo e importante da organização,
requer um relacionamento de confiança e qualidade, alicerçado
no comportamento ético, na verdade e na transparência,
com diálogo constante. A autêntica interação
entre ambas gera credibilidade. Por meio de um canal efetivo de
comunicação com a comunidade, possibilita-se adquirir
conhecimentos dos seus desejos e necessidades, como também
atender seus interesses sociais (Vieira, 2004).
Dentro
desse princípio de solidariedade humana, minimização
dos problemas dos grupos sociais excluídos e realização
de projetos e programas éticos, ou seja, sem visar, simplesmente,
retornos mercadológicos e egoístas, as relações
públicas contribuem numa visão mais humanista das
organizações, onde as pessoas são o centro
da referência.
Nesse
contexto, as relações públicas têm
função filosófica “(o enfoque filosófico
contempla os princípios de democracia, participação,
justiça e no bem comum, da mesma forma que aborda a Responsabilidade
Social, o desempenho competente e a valorização
do ser humano (...) obtendo, em contrapartida, bons resultados
no relacionamento com seus públicos" (Becker, 2003)”,
visando à valorização do ser humano. O caráter
social é a causa primária dessa atividade que atua
"para manter a identidade social e cultural dos indivíduos
e das comunidades, ao favorecer o compartilhamento de valores,
a livre expressão de idéias, a comunicação
de natureza mais popular e menos institucional" (Teixeira
apud Kunsch, 2003).
O
enfoque na comunicação pública
Resgatando
a essência de Relações Públicas, deve-se
prevalecer o exercício da cidadania e o respeito ao cidadão
- elementos esses perdidos ao longo da história em virtude
da era moderna e da sociedade do mercado, prevalecendo a preocupação
com "produtos tangíveis e lucros demonstráveis".
Como resultado, a ação social cedeu lugar ao consumo
(Miotto, 2004).
Dentro
desse princípio, confere a essa atividade levar informações
pelas quais possibilitem o conhecimento e a transformação
da sociedade. Como também, ser ponte mediadora do público
específico ao geral seja ele nacional, cidade, bairro ou
local privado.
A
ação comunicacional atua sobre os seres humanos,
(Miotto 2004), as pessoas "são capazes de agir, a
reação é sempre uma nova ação
com poder próprio de atingir os outros". Essa ação
toma-se possível através do relacionamento dentro
de um espaço público.
Considera-se
espaço público onde pessoas se (re) conhecem por
intermédio do diálogo e a ação humana.
Portanto, sucede a comunicação (comunicação,
segundo a etimologia da palavra, no latin, significa "comum-união"),
de modo interagirem-se e trocarem informações, estabelecendo
um feed-back entre emissor e receptor. A comunidade é um
espaço público, em que seus membros podem se apresentar
ao mundo com suas atitudes.
A
característica fundamental da comunicação
pública consiste em capacitar essa comunidade em ser ativa,
exercendo um papel primordial na democratização
da informação e cidadania, sobretudo, por fazer
parte de um processo educativo ao envolver pessoas diretamente
na ação comunicacional. (Peruzzo, 2004).
Mais
que informação, esse cenário da comunicação
oferece ao sujeito cidadão o direito de liberdade de expressão
e opinião, saindo da condição de receptor
passivo para emissor ativo. Diante desse contexto, ao relacionar-se
com a comunidade – com identidades e interesses comuns -
as relações públicas realizam uma comunicação
complementar de sensibilização da população
para temas de cidadania, a fim de promover a transformação
social ao atenderem os interesses públicos. Logo, suas
atividades desempenham funções de agentes sociais.
Como
formadores de opinião com ética e responsabilidade
social, possibilita-se construir com o exercício da cidadania
ao relacionarem-se com a sociedade local. No entanto, cabem as
relações públicas saberem quais linguagens
usarem, assim como o conteúdo e canais adequados para produzirem,
através de estratégias de relacionamento, uma comunicação
eficiente, utilizando-se de argumentos de persuasão eficaz,
conforme a realidade da comunidade.
Sobretudo,
quando essa atividade comprometida com os interesses da sociedade
local - com direitos e deveres de cidadania - realiza uma gestão
de comunicação partilhada e co-responsável,
favorecendo a participação ativa de todos os membros
do grupo social. (Peruzzo 2004).
As
Relações Públicas, como mediadora entre comunidade
e organização, permitem a esse grupo social não
somente o direito de receber informações, como também
se expressarem na condição de emissores. Para isso,
são utilizadas várias modalidades de comunicação
dirigida e grupal com o objetivo de colocarem a serviço
da população e fazerem evoluir a luta pela democracia.
Ainda,
segundo Peruzzo (2004), “A questão central é
tornar o ser humano sujeito do processo de mudança social,
que passa pela comunicação, mas também pelos
demais mecanismos de organização e ações
populares (...). O que mais importa é a conjunção
de princípios que favoreçam ao interesse social
amplo e a inserção das pessoas como protagonistas
da comunicação e organização populares”.
As
Relações Públicas nesse âmbito social
podem ter uma ação motivadora e facilitadora das
atividades de comunicação das quais tem por especialidade,
incluir seus públicos na discussão de suas próprias
necessidades.
Na
perspectiva de sua ação social fica aqui um indicativo:
“as organizações devem compreender a dimensão
do clima humano na comunidade onde atuam, sobretudo no campo educacional,
pois é primordial a articulação da política
corporativa com a política governamental, possibilitando
um relacionamento de longa duração com o público-alvo,
de maneira a inserir toda a sociedade”. Cabe, portanto as
Relações Públicas subsidiarem, incentivarem
e potencializarem essas ações comunicativas em todos
os níveis.
REFERÊNCIA:
BECKER, Gustavo E. H. Enfoques teóricos predominantes em
relações Públicas: um estudo das monografias
de conclusão de cursos da ULBRA. In: XXVI Congresso Brasileiro
de Ciências da Comunicação. Anais INTERCOM.
Belo Horizonte/MG/PUC, 2003.
KUNSCH, Margarida M. K. Planejamento de Relações
Públicas: na Comunicação Integrada. 4ª
ed. – revista, atualizada e ampliada. São Paulo:
Summus, 2003.
MIOTTO, Luciana B. Comunicação e Espaço Público
na sociedade de informação: reflexos sobre a política
contemporânea. In: OLIVEIRA, Maria José da Costa.
Comunicação Pública. Campinas: Alínea,
2004.
PERUZZO, Cicília M. K Direito à comunicação
comunitária, participação popular e cidadania.
In: OLIVEIRA, Maria José da Costa. Comunicação
Pública. Campinas: Alínea, 2004.
VIEIRA, Roberto Fonseca. Comunicação Organizacional:
gestão de relações públicas. Rio de
Janeiro: Mauad, 2004.
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