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RP na Era da Responsabilidade Social

ROBERTO FONSECA VIEIRA

Autor e/ou organizador dos livros "Relações Públicas: Opção pelo cidadão", "Comunicação Organizacional: Gestão de Relações Públicas" e "Jornalismo e Relações Públicas: Ação e Reação, uma perspectiva conciliatória possível". Professor da Universidade Estácio de Sá.

Relações Públicas na Esfera Social

A organização, ao incorporar a Responsabilidade Social na sua gestão, compreende fazer mudanças na sua cultura organizacional e comportamental, e a comunicação torna-se elemento-chave nesse processo.

Numa gestão de comunicação integrada dentro da organização, as Relações Públicas desenvolvem um papel importante nessa transição, como agente facilitadora de compreensão da nova filosofia gerencial, por todos os públicos-alvo de maneira a socializá-los, na qual envolve novos conceitos e metas. Nesse sentido, suas atividades compreendem planejar e conduzir tal mudança através do diálogo, visando uma aceitação maior junto à sociedade, como também aumentar a força competitiva (Vieira, 2004).

Por conseguinte, na função de apoiar a administração das organizações, as Relações Públicas visam multiplicar os impactos sociais provocados pelas ações sociais, agregando valor e ganho de idéias e imagem a todos os atores envolvidos.

Segundo, (Kunsch 2003), o desígnio de Relações Públicas é a organização e os seus públicos, objetivando promover e administrar relacionamentos, e mediar conflitos por meio de estratégias e programas de comunicação, levando em consideração situações reais do âmbito nacional.

Tais estratégias visam apresentar resultados quanto ao posicionamento da organização perante a sociedade e demonstrar sua missão, valores, filosofia, identidade e como desejam ser vistas no futuro. Por meio de canais de comunicação, as Relações Públicas buscam confiança mútua, construir a credibilidade, valorizar a dimensão social e fortalecer o lado institucional da organização.

Essa atividade, também contribui com o cumprimento da responsabilidade social das organizações. Além dos objetivos econômicos, as organizações têm que se posicionarem institucionalmente e assumirem, como missão, a prestação de contas à população, com abertura de fontes de informação e transparência das ações, para contribuir na construção da cidadania.

Dentro do contexto da sociedade contemporânea, com suas tendências básicas, econômicas, culturais e sociais, as relações públicas devem cumprir seu papel social ajudando a organização na conscientização da ação socialmente responsável, visando benefícios mútuos: organização e comunidade.

Essa comunidade, como público externo e importante da organização, requer um relacionamento de confiança e qualidade, alicerçado no comportamento ético, na verdade e na transparência, com diálogo constante. A autêntica interação entre ambas gera credibilidade. Por meio de um canal efetivo de comunicação com a comunidade, possibilita-se adquirir conhecimentos dos seus desejos e necessidades, como também atender seus interesses sociais (Vieira, 2004).

Dentro desse princípio de solidariedade humana, minimização dos problemas dos grupos sociais excluídos e realização de projetos e programas éticos, ou seja, sem visar, simplesmente, retornos mercadológicos e egoístas, as relações públicas contribuem numa visão mais humanista das organizações, onde as pessoas são o centro da referência.

Nesse contexto, as relações públicas têm função filosófica “(o enfoque filosófico contempla os princípios de democracia, participação, justiça e no bem comum, da mesma forma que aborda a Responsabilidade Social, o desempenho competente e a valorização do ser humano (...) obtendo, em contrapartida, bons resultados no relacionamento com seus públicos" (Becker, 2003)”, visando à valorização do ser humano. O caráter social é a causa primária dessa atividade que atua "para manter a identidade social e cultural dos indivíduos e das comunidades, ao favorecer o compartilhamento de valores, a livre expressão de idéias, a comunicação de natureza mais popular e menos institucional" (Teixeira apud Kunsch, 2003).

O enfoque na comunicação pública

Resgatando a essência de Relações Públicas, deve-se prevalecer o exercício da cidadania e o respeito ao cidadão - elementos esses perdidos ao longo da história em virtude da era moderna e da sociedade do mercado, prevalecendo a preocupação com "produtos tangíveis e lucros demonstráveis". Como resultado, a ação social cedeu lugar ao consumo (Miotto, 2004).

Dentro desse princípio, confere a essa atividade levar informações pelas quais possibilitem o conhecimento e a transformação da sociedade. Como também, ser ponte mediadora do público específico ao geral seja ele nacional, cidade, bairro ou local privado.

A ação comunicacional atua sobre os seres humanos, (Miotto 2004), as pessoas "são capazes de agir, a reação é sempre uma nova ação com poder próprio de atingir os outros". Essa ação toma-se possível através do relacionamento dentro de um espaço público.

Considera-se espaço público onde pessoas se (re) conhecem por intermédio do diálogo e a ação humana. Portanto, sucede a comunicação (comunicação, segundo a etimologia da palavra, no latin, significa "comum-união"), de modo interagirem-se e trocarem informações, estabelecendo um feed-back entre emissor e receptor. A comunidade é um espaço público, em que seus membros podem se apresentar ao mundo com suas atitudes.

A característica fundamental da comunicação pública consiste em capacitar essa comunidade em ser ativa, exercendo um papel primordial na democratização da informação e cidadania, sobretudo, por fazer parte de um processo educativo ao envolver pessoas diretamente na ação comunicacional. (Peruzzo, 2004).

Mais que informação, esse cenário da comunicação oferece ao sujeito cidadão o direito de liberdade de expressão e opinião, saindo da condição de receptor passivo para emissor ativo. Diante desse contexto, ao relacionar-se com a comunidade – com identidades e interesses comuns - as relações públicas realizam uma comunicação complementar de sensibilização da população para temas de cidadania, a fim de promover a transformação social ao atenderem os interesses públicos. Logo, suas atividades desempenham funções de agentes sociais.

Como formadores de opinião com ética e responsabilidade social, possibilita-se construir com o exercício da cidadania ao relacionarem-se com a sociedade local. No entanto, cabem as relações públicas saberem quais linguagens usarem, assim como o conteúdo e canais adequados para produzirem, através de estratégias de relacionamento, uma comunicação eficiente, utilizando-se de argumentos de persuasão eficaz, conforme a realidade da comunidade.

Sobretudo, quando essa atividade comprometida com os interesses da sociedade local - com direitos e deveres de cidadania - realiza uma gestão de comunicação partilhada e co-responsável, favorecendo a participação ativa de todos os membros do grupo social. (Peruzzo 2004).

As Relações Públicas, como mediadora entre comunidade e organização, permitem a esse grupo social não somente o direito de receber informações, como também se expressarem na condição de emissores. Para isso, são utilizadas várias modalidades de comunicação dirigida e grupal com o objetivo de colocarem a serviço da população e fazerem evoluir a luta pela democracia.

Ainda, segundo Peruzzo (2004), “A questão central é tornar o ser humano sujeito do processo de mudança social, que passa pela comunicação, mas também pelos demais mecanismos de organização e ações populares (...). O que mais importa é a conjunção de princípios que favoreçam ao interesse social amplo e a inserção das pessoas como protagonistas da comunicação e organização populares”.

As Relações Públicas nesse âmbito social podem ter uma ação motivadora e facilitadora das atividades de comunicação das quais tem por especialidade, incluir seus públicos na discussão de suas próprias necessidades.

Na perspectiva de sua ação social fica aqui um indicativo: “as organizações devem compreender a dimensão do clima humano na comunidade onde atuam, sobretudo no campo educacional, pois é primordial a articulação da política corporativa com a política governamental, possibilitando um relacionamento de longa duração com o público-alvo, de maneira a inserir toda a sociedade”. Cabe, portanto as Relações Públicas subsidiarem, incentivarem e potencializarem essas ações comunicativas em todos os níveis.

REFERÊNCIA:
BECKER, Gustavo E. H. Enfoques teóricos predominantes em relações Públicas: um estudo das monografias de conclusão de cursos da ULBRA. In: XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Anais INTERCOM. Belo Horizonte/MG/PUC, 2003.
KUNSCH, Margarida M. K. Planejamento de Relações Públicas: na Comunicação Integrada. 4ª ed. – revista, atualizada e ampliada. São Paulo: Summus, 2003.
MIOTTO, Luciana B. Comunicação e Espaço Público na sociedade de informação: reflexos sobre a política contemporânea. In: OLIVEIRA, Maria José da Costa. Comunicação Pública. Campinas: Alínea, 2004.
PERUZZO, Cicília M. K Direito à comunicação comunitária, participação popular e cidadania. In: OLIVEIRA, Maria José da Costa. Comunicação Pública. Campinas: Alínea, 2004.
VIEIRA, Roberto Fonseca. Comunicação Organizacional: gestão de relações públicas. Rio de Janeiro: Mauad, 2004.


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