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RP na Era da Responsabilidade Social

ROBERTO FONSECA VIEIRA

Autor e/ou organizador dos livros "Relações Públicas: Opção pelo cidadão", "Comunicação Organizacional: Gestão de Relações Públicas" e "Jornalismo e Relações Públicas: Ação e Reação, uma perspectiva conciliatória possível". Professor da Universidade Estácio de Sá.

Responsabilidade Social: um caminho aberto para o mercado competente nas ações de Relações Públicas

Tomando aqui o pensamento de Kunsch, (1997), "as relações públicas devem zelar para que os valores éticos sejam considerados como norteadores na busca do diálogo e da negociação, usando a transparência e a verdade como princípio balizador. O discurso por ela produzido tem de ser regido pela integridade, isto é, pela coerência entre o que se diz e o que se faz no dia-a dia das organizações".

Portanto, a responsabilidade social deve ser assumida de forma ética, consistente e inteligente pela empresa, pois, contribui decisivamente para a sustentação e desempenho empresarial, até porque, o uso da cidadania empresarial como vantagem competitiva, reforço e fortalecimento de sua imagem institucional, diante de seus públicos, são frutos de seu posicionamento enquanto empresa-cidadã.

A visão tradicional das empresas, traduzida na utilização de recursos de natureza econômica, que se consubstancia na busca da maximização dos lucros e na minimização dos custos, não é a mais adequada ou única. Novos papéis têm surgido e condicionado as empresas a adequarem suas formas de ação às novas alterações provenientes do ambiente em que operam, fazendo com que a responsabilidade social se fundamente na liberdade que a sociedade concede à empresa para existir, mediante a instituição de um contrato social. A contrapartida por essa liberdade é a contribuição da empresa para a sociedade, pois sua missão maior é servir a sociedade.

As empresas voltam-se, nesse quadro, para problemas que vão além das considerações meramente econômicas, atingindo um aspecto muito mais amplo, envolvendo preocupações de caráter político-social, tais como proteção ao consumidor, controle da poluição, segurança e qualidade dos produtos, assistência médica e social, defesa de grupos minoritários, etc.

Esta situação é em grande parte resultante dessa nova visão da sociedade, que clama por um posicionamento mais social e até mesmo mais ético das empresas, pressionando-as por meios de movimentos reivindicatórios, que acabam por resultar em novas leis e regulamentações, levando-as a incorporar esse valores aos seus procedimentos administrativos e operacionais. Outro aspecto a ser considerado é a tendência mundial dos mercados globais, que tem atingido a lucratividade e a rentabilidade das empresas frente a sua capacidade de antecipar e reagir às mudanças sociais e políticas provocadas pela globalização da economia.

Reafirmamos, a responsabilidade social deve dimensionar-se enquanto expectativas econômicas, legais, éticas e sociais que a sociedade espera que as empresas atendam, num determinado período de tempo. Ficando claro, que a concepção da responsabilidade social nasce das mudanças ocorridas nos valores da sociedade, ou seja, a sociedade exigindo cada vez mais que as empresas assumam determinada posição para atender a suas necessidades, sobretudo diante de uma atuação eficaz em duas dimensões: primeiro na gestão da responsabilidade social interna, e segundo na gestão da responsabilidade social externa, com o foco no seu público interno e na comunidade, respectivamente. Em ambas as dimensões, a empresa exerce a sua cidadania empresarial e adquire o seu "status de empresa-cidadã".

Isso nos permite dizer, que o relacionamento da empresa no âmbito externo será o reflexo do tratamento de suas ações, sobretudo nas suas relações em âmbito interno. E nos permitir ir mais além, que relações públicas atuando num processo de gestão competente, através do planejamento estratégico possibilitará dimensionar melhor esse espaço mercadológico, pois conhecem o negócio, e com isso não só estarão legitimando o poder social das empresas, mas também, o do homem-cidadão, marcando, mantendo e ampliando seu espaço na sociedade.

Nesse perfil apontamos um promissor espaço de mercado inteligente para as ações de relações públicas, sobretudo se alinharmos a sua gestão estratégica a opção pelo cidadão.

O caminho está aberto para a profissão e o profissional de Relações Públicas. Reflitam! Pois, a pesquisa apresentada pela jornalista Solange Marchal, produzida pelo Ipea, e sob o título: "A Responsabilidade Social é tímida nas pequenas empresas", nos mostra essa perspectiva, ou seja, um significativo mercado de trabalho. Cabe agora analisarmos a pesquisa apresentada por Marchal:

"No Sul, 91% das grandes empresas consultadas pelo Ipea desenvolvem trabalhos para o terceiro setor. Entre as pequenas o número cai para 41% Satisfação pessoal, envolvimento com a comunidade e valorização da imagem da empresa. Seja qual for o motivo, um deles está levando empresários de todo o Brasil a encarar, cada vez com mais seriedade, seu papel social. Doações, investimentos, desenvolvimento de projetos em conjunto com a comunidade, incentivo de trabalho voluntário aos funcionários e prestação gratuita de serviços profissionais são algumas das formas pelas qual boa parte das empresas brasileiras está cumprindo sua responsabilidade social. Aponta, ainda, a jornalísta que um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea -, nas regiões Sudeste, Nordeste, Sul e Centro-Oeste, entre os anos de 1999 e 2001, revela esta característica de "empreendedor social" no perfil dos empresários modernos. Para chegar aos resultados, o órgão pesquisou cerca de 1,8 mil empresas em cada uma das regiões, para um universo analisado de 758 mil organizações, com um ou mais empregados. Os dados também demonstram que, no Brasil, o envolvimento com ações do terceiro setor cresce conforme o porte da organização. Na região Sul, a segunda maior em registro de empresas, com 165 mil, contra 445 mil da região Sudeste, que concentra o maior número, 91% das grandes empresas consultadas realizam algum tipo de trabalho social. Apesar das micro, pequenas e médias empresas representarem 98% do total de empresas existentes no Brasil, de acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, as atividades de promoção social ainda são tímidas entre elas. Entre as pequenas empresas do Sul, por exemplo, cai para 41% o número de participações com o terceiro setor registrado pelo Ipea. A jornalista retrata que, para Theresa Christina Chaves Schiel, coordenadora do Núcleo de Estudos do Terceiro Setor do Centro Universitário Positivo - Unicenp -, a explicação para o pequeno percentual de ações sociais constatadas nas pequenas empresas do Sul pode estar, principalmente, na falta de informação. "O terceiro setor ainda é novidade para a sociedade de uma forma geral. As pessoas ainda têm a visão de que, fazer algo por alguém é contribuir financeiramente", explica. Os números do Ipea atestam, ainda, que dois terços das empresas da região Sul colaboram efetuando doações ou apoiando projetos assistenciais. "As pequenas empresas, muitas vezes, não dispõe de recursos econômicos para doar ou apoiar projetos com investimento, mas podem contribuir de diversas outras formas", salienta a coordenadora. Prestar serviços contábeis gratuitamente para uma organização não governamental foi à opção feita pela Sprada & Rossetim, empresa de assessoria,consultoria e auditoria contábil de Curitiba. Atuando desde 1952 no mercado da contabilidade, há três anos a empresa começou a desenvolver atividades de responsabilidade social. Marchal aponta que, de acordo com Juarez Rossetim, a oportunidade surgiu por meio de uma conversa com um cliente que participava da Ong a qual a empresa presta serviço atualmente. "Descobrimos que poderíamos realizar uma ação social desenvolvendo atividades que fazem parte da nossa rotina de trabalho", simplifica. Para Rossetim, a prestação do serviço contábil facilita a captação de recursos, imprescindíveis à manutenção da Ong. "A contabilidade retrata a situação econômico-financeira de uma entidade do terceiro setor. Isto garante ao doador a correta aplicação dos recursos por ele investidos", exemplifica. Destaca a jornalista que, de acordo com Theresa Christina, mesmo com a maior parte da contribuição partindo de grandes empresas, o porte não é regra para a responsabilidade social. "Existem casos em que pequenas empresas realizam trabalhos maiores e mais intensivos que os desenvolvidos pelas gigantes", aponta. Na opinião da coordenadora, ainda há muitas, pequenas, médias e, até, grandes empresas a serem mobilizadas. A afirmação pode ser comprovada com a pesquisa do Ipea. Só as regiões Sudeste, Nordeste e Sul somam 143 mil empresas que não prestam nenhum tipo de contribuição social. Apesar de ser a segunda em número de empresas, a região Sul abocanha 34% do total, percentual duas vezes superior ao observado nas outras duas regiões".

É ou não é um poderoso espaço? Mas, esse é um assunto que deixamos em aberto para reflexão, ou seja, a participação de eficácia das pequenas empresas no dimensionamento e contribuição ao desenvolvimento sustentável, um caminho a ser explorado pelas relações públicas, através de ações integradas e compartilhadas com as estratégias de comunicação voltadas para programas de responsabilidade social. Mas, lembrem-se! Com ênfase e opção pelo cidadão.

Referência Bibliográfica

KUNSCH, Margarida K. Relações Públicas e Modernidade. São Paulo: Summus, 1997.
MARCHAL, Solange. Comunique-se: www.comunique-se.com.br, Novembro/ 2002.
VIEIRA, Roberto Fonseca. Relações Públicas: opção pelo cidadão. Rio de Janeiro: Mauad, 2002.


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