Ética e eleição
Neste
ano de eleições, cabe uma reflexão sobre
a ética na esfera pública, uma vez que tal virtude
deve estar presente em toda a sociedade e naqueles que governarão
o destino de nosso país.
Além
da ética, virtudes como confiança e moral, são
fundamentais em todas as circunstâncias, mas em especial
na esfera pública, pois as conseqüências da
falta de tais virtudes repercutem na vida da população.
Infelizmente,
as manchetes dos veículos de comunicação
demonstram, claramente, a falta de ética, de honestidade,
de moral e de respeito pela "coisa pública" por
parte de muitos políticos, que, justamente, deveriam zelar
pelo bem público.
Há
inúmeros escândalos que dão a clara dimensão
do impacto que a corrupção causa na sociedade. Casos
de desvios de verbas públicas destinadas à merenda
escolar, à saúde, à educação,
ao saneamento básico, à seca, à fome, às
calamidades, demonstram que políticos corruptos também
matam e muitas vezes em grande escala.
Aliás,
é bom que se reforce aqui que a própria Constituição
da República Federativa do Brasil destaca como princípios
da administração pública, em seu artigo 37:
a legalidade, a impessoalidade, a moralidade e a publicidade,
revelando que as virtudes acima mencionadas deveriam ser inerentes
àqueles que assumem a tarefa de gerenciar os interesses
gerais da sociedade.
Portanto,
exigir que os administradores públicos incorporem as virtudes
sociais, essenciais para a prosperidade, passa a ser fundamental
para a concretização da cidadania.
A
falta de uma postura adequada por parte de certos representantes
públicos acaba minando a confiança da população
em relação ao governo. Dessa forma, compromete-se
a integração entre Estado, Sociedade e Mercado que,
acredito, pode ser justamente a chave para a solução
de boa parte dos problemas sociais e a efetivação
da cidadania.
Tenho,
portanto, convicção de que entre as condições
fundamentais para se viabilizar o caminho da cidadania está
em modelar uma estrutura pública virtuosa a partir do governo,
capacitando-o a se transformar num transmissor dos melhores exemplos
comportamentais ao setor privado e aos cidadãos em geral.
A
partir daí, pode-se contar com uma base mais estruturada
para que o espaço público passe a ser compartilhado
e assumido pelos diferentes entes sociais, reforçando a
democracia e permitindo o respeito ao papel crucial do governo.
A
corrupção, como exemplo de falta de ética,
desvia verbas destinadas aos mais necessitados, afetando principalmente
a quem é cada vez mais dificultado o acesso à educação,
transporte e saúde de qualidade. Além disso, o Estado
perde legitimidade e a nação acaba tendo sérios
prejuízos econômicos.
Por
isso, é hora de analisar bem a nossa escolha, memorizá-la,
para exigir que nossos representantes cumpram, antes de tudo,
seus deveres de cidadãos.
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