Relações Públicas e Políticas Públicas
As
transformações por que passa a sociedade têm
se refletido, evidentemente, na área de Relações
Públicas exigindo, inclusive, a adoção de
conceitos mais abrangentes e definidos, novos paradigmas e, conseqüentemente,
um novo posicionamento dos profissionais.
Ao
mesmo tempo, identificamos em muitas definições
de Relações Públicas exatamente a preocupação
com os aspectos que se tornam essenciais ao exercício pleno
da cidadania, ou seja, transparência, responsabilidade social,
diálogo, confiança, credibilidade, entre outros.
Assim,
analisar o papel de Relações Públicas no
contexto social, o que ela representa e pode representar para
a sociedade, constitui-se num aspecto básico para a valorização
e crescimento da área.
Lembramos,
de início que, ao tratar de cidadania, Relações
Públicas pode ser considerada uma função
intimamente ligada à educação com fim social,
porque se propõe, justamente, a estabelecer a relação
entre organização e públicos de forma consciente,
transparente, ética e baseada na confiança.
Muito
da essência da atividade de Relações Públicas
pode ser identificada no atendimento às questões
sociais e no desenvolvimento da cidadania, se consideramos, em
especial, a interface que mantém com outras áreas
envolvidas com a educação com fim social. Esse fim
social tem envolvido as organizações de primeiro,
segundo e terceiro setores, que vêm se conscientizando da
importância da integração entre as mesmas
para o estabelecimento de políticas públicas capazes
de promover justiça social, dignidade e qualidade de vida.
Dessa
forma, a valorização das parcerias, iniciativas
cidadãs, campanhas de solidariedade, estabelecem uma relação
de causa e efeito entre as ações de impacto social
e o processo de democratização e cidadania, levando
não só as organizações de primeiro
e segundo setores, como também as associações
civis a buscarem uma interlocução com os diferentes
públicos.
Podemos
dizer que as inovações no formato organizacional
e no conteúdo da ação são constituídas
a partir de uma visão social e de uma política pública
intimamente relacionada com a filosofia de Relações
Públicas, formando um cenário propício para
o envolvimento e desenvolvimento da área.
Na
implementação de políticas sociais e públicas,
alguns espaços para a participação dos entes
sociais têm sido identificados, sendo amplas as possibilidades
que priorizam a integração entre os diferentes setores,
ainda que existam muitas dificuldades para implementação
dessa integração. Porém, é diante
de tais dificuldades, que a atividade de Relações
Públicas surge como uma alternativa capaz de contribuir
com a consolidação de uma participação
cidadã, assessorando o desenvolvimento de uma política
de responsabilidade social por parte de cada ente social que representa
e, mais do que isso, sendo capaz de colaborar para a instituição
de uma ação integrada envolvendo esses diferentes
setores.
A
atividade de Relações Públicas, por sua natureza
ética, fundamenta-se nos princípios de bem comum,
justiça e democracia, o que significa conquistar a credibilidade
das organizações (governos, entidades, empresas)
junto a seus públicos, utilizando verdade e transparência,
colaborando, inclusive, dentro de um processo de transformação
social, para a mudança de mentalidade dos públicos.
E
essa contribuição que Relações Públicas
pode dar ao processo de mudança de mentalidade, depende
diretamente da capacitação dos profissionais responsáveis
por sua prática. Nessa perspectiva, Relações
Públicas torna-se uma condição “sine
qua non” para a existência de um governo democrático,
tendo a educação com fim social como sua função
essencial, diante do exercício da cidadania.
Contudo,
percebe-se que há um longo caminho para que a área
estabeleça-se nesse sentido educativo, merecendo, por isso
mesmo, um alerta aos profissionais da área, para que não
apenas adquiram o conhecimento e a habilidade técnica disponíveis
para a profissão, mas se comprometam, em especial, com
a responsabilidade social, as éticas profissionais e o
interesse público.
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