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RP e Comunicação Pública

MARIA JOSÉ DA COSTA OLIVEIRA

Doutora em Comunicação. Atualmente coordenadora dos cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas da METROCAMP, além de coordenar, na mesma Escola, o curso de Pós-Graduação – Especialização em Comunicação Pública e Responsabilidade Social. É organizadora do livro Comunicação Pública, editado em 2004 pela Alínea.

Relações Públicas e Políticas Públicas

As transformações por que passa a sociedade têm se refletido, evidentemente, na área de Relações Públicas exigindo, inclusive, a adoção de conceitos mais abrangentes e definidos, novos paradigmas e, conseqüentemente, um novo posicionamento dos profissionais.

Ao mesmo tempo, identificamos em muitas definições de Relações Públicas exatamente a preocupação com os aspectos que se tornam essenciais ao exercício pleno da cidadania, ou seja, transparência, responsabilidade social, diálogo, confiança, credibilidade, entre outros.

Assim, analisar o papel de Relações Públicas no contexto social, o que ela representa e pode representar para a sociedade, constitui-se num aspecto básico para a valorização e crescimento da área.

Lembramos, de início que, ao tratar de cidadania, Relações Públicas pode ser considerada uma função intimamente ligada à educação com fim social, porque se propõe, justamente, a estabelecer a relação entre organização e públicos de forma consciente, transparente, ética e baseada na confiança.

Muito da essência da atividade de Relações Públicas pode ser identificada no atendimento às questões sociais e no desenvolvimento da cidadania, se consideramos, em especial, a interface que mantém com outras áreas envolvidas com a educação com fim social. Esse fim social tem envolvido as organizações de primeiro, segundo e terceiro setores, que vêm se conscientizando da importância da integração entre as mesmas para o estabelecimento de políticas públicas capazes de promover justiça social, dignidade e qualidade de vida.

Dessa forma, a valorização das parcerias, iniciativas cidadãs, campanhas de solidariedade, estabelecem uma relação de causa e efeito entre as ações de impacto social e o processo de democratização e cidadania, levando não só as organizações de primeiro e segundo setores, como também as associações civis a buscarem uma interlocução com os diferentes públicos.

Podemos dizer que as inovações no formato organizacional e no conteúdo da ação são constituídas a partir de uma visão social e de uma política pública intimamente relacionada com a filosofia de Relações Públicas, formando um cenário propício para o envolvimento e desenvolvimento da área.

Na implementação de políticas sociais e públicas, alguns espaços para a participação dos entes sociais têm sido identificados, sendo amplas as possibilidades que priorizam a integração entre os diferentes setores, ainda que existam muitas dificuldades para implementação dessa integração. Porém, é diante de tais dificuldades, que a atividade de Relações Públicas surge como uma alternativa capaz de contribuir com a consolidação de uma participação cidadã, assessorando o desenvolvimento de uma política de responsabilidade social por parte de cada ente social que representa e, mais do que isso, sendo capaz de colaborar para a instituição de uma ação integrada envolvendo esses diferentes setores.

A atividade de Relações Públicas, por sua natureza ética, fundamenta-se nos princípios de bem comum, justiça e democracia, o que significa conquistar a credibilidade das organizações (governos, entidades, empresas) junto a seus públicos, utilizando verdade e transparência, colaborando, inclusive, dentro de um processo de transformação social, para a mudança de mentalidade dos públicos.

E essa contribuição que Relações Públicas pode dar ao processo de mudança de mentalidade, depende diretamente da capacitação dos profissionais responsáveis por sua prática. Nessa perspectiva, Relações Públicas torna-se uma condição “sine qua non” para a existência de um governo democrático, tendo a educação com fim social como sua função essencial, diante do exercício da cidadania.

Contudo, percebe-se que há um longo caminho para que a área estabeleça-se nesse sentido educativo, merecendo, por isso mesmo, um alerta aos profissionais da área, para que não apenas adquiram o conhecimento e a habilidade técnica disponíveis para a profissão, mas se comprometam, em especial, com a responsabilidade social, as éticas profissionais e o interesse público.


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