Lobby como Exercício de Cidadania
Lobby
é uma atividade que busca influenciar o poder de decisão
em todas as organizações, mas, em especial, junto
ao governo, de modo a favorecer um indivíduo, um grupo,
uma instituição ou um setor da sociedade.
Para
Rabaça e Barbosa, no Dicionário de Comunicação,
podem ser consideradas ações de lobby os meios utilizados
para influenciar políticos ou funcionários governamentais
de forma direta (contatos pessoais, correspondências, etc.)
ou indiretamente (através dos meios de comunicação
ou de fatos capazes de sensibilizar a opinião pública,
atingindo desse modo os representantes da comunidade).
Apesar
de não ser um termo recente, lobby ainda é pouco
conhecido por boa parte dos brasileiros. Os que têm noção
de seu significado, por sua vez, tendem a defini-lo como ações
de suborno e corrupção praticadas nos bastidores
governamentais. Infelizmente e de maneira evidente, não
faltam exemplos nesse sentido.
Entretanto,
numa análise mais aprofundada, é possível
perceber que lobby pode ser visto como forma de a sociedade exercer
cidadania, uma vez que lhe possibilita influenciar políticas
públicas.
Nessa
perspectiva, lobby muitas vezes vem sendo realizado ainda de forma
amadora e incipiente, apesar de que mesmo carente de maior profissionalização,
é capaz de conseguir resultados que podem beneficiar o
interesse público.
É
bom lembrar que lobby não se restringe à área
governamental, uma vez que seu objetivo é influenciar o
poder de decisão, presente em todo grupo organizado, o
que o transforma em uma atividade legítima dentro do processo
democrático.
Sua
imagem, todavia, sofre desgaste junto à opinião
pública, cada vez que atende a interesses particulares
de empresas e grupos e principalmente daqueles que pagam pelas
decisões que, em detrimento dos interesses da comunidade,
trazem como conseqüência falta de responsabilidade
social e ambiental, revelando-se como uma contradição
em relação ao conceito de cidadania.
Tal
contradição se sustenta porque lobby é muitas
vezes visto como um instrumento ligado à visão corporativa
de grupos de interesse, o que pode significar apropriação
indevida de espaços públicos, em função
de interesses particulares.
No
entanto, é possível perceber que a sociedade civil
também vem aprendendo a se organizar para cobrar das autoridades
competentes seus direitos de cidadania.
Por
isso, ainda que o lobby seja, muitas vezes, associado a interesses
particulares, sua prática tende a ganhar maturidade e valorização
dentro da sociedade democrática, extrapolando essa visão
limitada.
Sua
ação já começa a dar sinais de que
será cada vez mais estendida a movimentos populares, influenciando
o poder de decisão para causas públicas.
Dessa
forma, devidamente utilizado, o lobby exerce papel preponderante
para viabilizar o exercício da cidadania e a consolidação
da democracia, transformando-se num verdadeiro instrumento de
comunicação pública, ou seja, de comunicação
que se processa no espaço público, visando o interesse
público e com o amplo envolvimento de todos os setores
da sociedade.
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