Comunicação Estratégica no contexto contemporâneo:
construção de um modelo
Diante
das transformações econômicas, políticas
e sociais da contemporaneidade não é mais possível
caracterizar a comunicação organizacional como um
processo bipolarizado, centrado na emissão e na recepção,
fundamentado no modelo clássico/informacional. É
necessário considerar os espaços de construção
social e entender a comunicação como um processo
social e humano. Nessa perspectiva, a comunicação
nas organizações passa a ser considerada um fenômeno
complexo e de dimensão estratégica que não
mais se sustenta por concepções instrumentais, que
visem meramente informar e divulgar.
Essa
dimensão alcançada pelo campo tem também
como fator propulsor a constatação pelas organizações
da necessidade imperativa de se relacionarem de forma intencional
e estruturada com a sociedade. Chamadas a prestar contas sobre
sua atuação, cada vez mais se defrontam com a demanda
de uma postura aberta perante os atores sociais e com a prioridade
de estabelecer com eles canais interlocutorios. Nesse contexto
de interlocução pressupõe-se circularidade
de discursos, ou seja, um ator interfere no discurso do outro
na busca de consenso e entendimento. Tudo isso redimensiona o
paradigma e as práticas da comunicação organizacional,
em direção a um novo modelo, centrado na interação
dialógica, na qual as partes envolvidas tornam-se sujeitos
de uma dinâmica argumentativa, fundamentada na exposição
dos interesses divergentes e na possibilidade de negociação.
Com
o modelo denominado “Interação comunicacional
dialógica” (conforme apresentação gráfica),
pretende-se ir além da bipolaridade de um modelo meramente
transmissional e redimensioná-lo para que possa considerar
a diversidade do contexto contemporâneo: a abundância
dos fluxos informacionais da e na organização, que
se intensificam com a sociedade da informação ,
com a sociedade do conhecimento, a globalização
e a tecnologia.

Modelo de Interação Comunicacional Dialógica
Outra
relevância dessa concepção é tornar
os processos comunicacionais nas organizações mais
democráticos, considerando o seu constante relacionamento
com os grupos que afetam ou são afetados por suas ações
e políticas.
Nesse
modelo o emissor – considerado como a organização
– e o receptor – considerado como os grupos de relacionamento
– são compreendidos como interlocutores do processo
comunicacional, uma vez que deixam de ter o lugar definido da
fala e da recepção e se constituem sujeitos de uma
interação na qual as posições, antes
fixas, adquirem circularidade e dialogicidade.
Além
disso, o modelo tem como funtamentação teórica,
no campo da comunicação, o paradigma relacional,
no qual a comunicação é compreendida como
um processo plural e multifacetado, visando a interação
entre pessoas/grupos e que “circunscreve a relação
- mediada discursivamente - de sujeitos interlucutores”
(França, 2004).
Através
desse caminho, ou seja, pensando a comunicação num
contexto relacional, buscou-se, para a construção
do modelo, autores que estudam a interlocução e
a recepção como Queré (1991) e Fausto Neto
(1998). A teoria da ação comunicativa do filósofo
alemão Habermas (1989) – que discute o “agir
comunicativo” na esfera pública – e o modelo
de comunicação simétrica de mão dupla,
do americano Grunig (1992) também foram referências
teóricas importantes em nossa discussão. Elas caracterizam
a dimensão política do modelo, na busca de uma comunicação
estratégica.
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