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Relações Públicas e Comunicação Empresarial no Brasil

JOÃO ALBERTO IANHÊZ

Profissional de Relações Públicas e Jornalista. Diretor Presidente da Ianhez Comunicação Ltda e Ianhez Desenvolvimento do Potencial Humano. Ex-presidente do Conferp – Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas. Autor do livro “O combate a corrupção nas prefeituras no Brasil”.

O guarda-chuva da comunicação nas empresas

Para uma empresa chegar ao seu produto final realiza dezenas de operações, envolvendo uma série de atividades de comunicação, fazendo funcionar insumos, máquinas e recursos financeiros. Fundamentada na comunicação entre as pessoas, essa cadeia produtiva de relacionamentos viabiliza a oferta dos produtos ou serviços ao consumidor final.

O comprar e o vender sustentam as empresas, mas a comunicação e os relacionamentos entre as pessoas, adequadamente conduzidos, são exigências cada vez maiores da sociedade atual. Se não estiver preparada para conduzir sua comunicação e seus relacionamentos de forma estratégica, eficaz e produtiva, em todos os seus campos de atuação, a empresa se defrontará com problemas, mais cedo ou mais tarde, afetando o seu comprar e o seu vender, às vezes, de forma irreversível

Fundamental para a empresa, poucas vezes essa visão da comunicação e das relações com o público estão presentes na mesma, de maneira consciente e estratégica, como parte da responsabilidade, não apenas de privilegiados comunicadores, mas de cada um dos elementos de sua estrutura.

Nas estratégias de comunicação de suas empresas, a maioria dos dirigentes é assessorada por pessoal especializado no divulgar, no propagar e no promover. Os dirigentes são seduzidos pelos aspectos da comunicação que oferecem maior visibilidade, a primeira vista. Aparecer na imprensa, falar o que deseja e interessa, quando tudo vai bem. Veicular campanha de propaganda e incentivar a promoção dos seus produtos. Desta forma, acreditam ter sob controle toda a comunicação e todos os relacionamentos das suas empresas.

Alguns dirigentes aceitam programas de comunicação restritos ao divulgar, ao propagar e ao promover porque não conhecem os benefícios que um programa guarda-chuva de comunicação – típico das relações públicas – traria para as suas empresas.

Só nos momentos cruciais – emergências e acidentes – os dirigentes empresariais vão se dar conta de como trabalhar com as relações públicas teria sido importante, transmitindo ao público imagem forte, pessoas atuando com os mesmos valores, falando a mesma linguagem, atuando em harmonia. Nesses momentos, os canais de comunicação de mão única, tornam-se incontroláveis, não são somente os dirigentes e os seus porta vozes oficiais que falam. Os clientes, os empregados, os fornecedores, concorrentes etc. além dos elementos do público mais diretamente ligados a crise. Todos são ouvidos por todas as pessoas próximas deles, além da imprensa. É o momento em que vai se descobrir à diferença em construir a imagem da empresa baseada no alardear suas qualidades, ou a imagem da empresa que passa a integrar os sentimentos das pessoas, de dentro e de fora, reconhecendo as qualidades da mesma publicamente. É a famosa comparação: No caso de um rapaz que deseja conquistar uma moça: Propaganda e assessoria de imprensa é quando ele chega para ela e relaciona todas as qualidades que possui, se auto elogiando. Relações públicas é quando ela o procura por ter ouvido, que ele é um excelente rapaz, uma pessoa de bem.

Os empregados são a empresa e a representam. Eles são seus porta-vozes, nem sempre reconhecidos e preparados para exercerem seus papéis pelos dirigentes das mesmas. Mas, reconhecidos por parentes, amigos do futebol, do churrasco de fim de semana e dos amigos do clube e da imprensa, principalmente nos momentos de crise na empresa. Na opinião dessas pessoas, eles têm autoridade e credibilidade para falarem sobre as empresas nas quais trabalham, “as suas empresas”.

A assessoria de imprensa é importante, mas, realizada isoladamente, coloca nas mãos de terceiros a construção da imagem da empresa. A maioria da imprensa publica o que é importante de seu ponto de vista e não do ponto de vista da empresa. Ela não vai falar só o que a empresa quer que ela fale. Sua função é analítica e investigativa. Ela busca informar o seu leitor, de acordo com a sua linha editorial.

A propaganda e as atividades promocionais têm suas importantes funções no divulgar e promover produtos ou serviços e ativar o desejo do consumidor para adquiri-los. Estas ações não preenchem sozinhas todos os requisitos necessários a visão guarda chuva da comunicação nas empresas.

Por outro lado, para maior efetividade das ações de assessoria de imprensa, de propaganda e de atividades promocionais a empresa deve ter adquirido credibilidade junto ao público, através de seus atos e de atividades de comunicação e do relacionamento com todos os públicos que mantiveram contato com ela.

A não preocupação com a visão guarda-chuva da comunicação e de todas as suas relações faz da imagem da empresa uma colcha de retalhos. Não há uma coordenação geral e uma estratégia para faze-la atuar dentro de uma linha mestra de comportamento, em todas as suas áreas.

Nas suas estratégias e nos seus planejamentos as relações públicas focam todos os relacionamentos da empresa e todos que exercem, ou possam exercer, influência sobre ela. Elas formalizam os valores da empresa e os faz permear toda a sua estrutura. Eles são a espinha dorsal que sustenta a empresa, a sua comunicação, as suas relações. Feito isso, busca saber a opinião do público sobre ela, desenvolvendo estratégias e ações, integradas com todas demais áreas, e, mais estreitamente, com as que trabalham profissionalmente a comunicação. Estabelece condições para um contínuo feedback do público e o ajuste das ações planejadas.

As relações públicas vão muito além do divulgar, do propagar e do promover, que buscam persuadir e convencer. Ela visa o se relacionar, o dialogar, o harmonizar, o compartilhar idéias, crenças, valores e ideais. Utilizadas isoladamente, a propaganda, a promoção e as relações com a imprensa, são modelos de mão única, seguidos por muitas empresas, privadas e públicas, e por governos, principalmente naqueles em que a democracia engatinha ou não existe. Elas são incompletas, pois a sociedade exige comunicação, de dupla mão e integração. Elas só se tornam acordes com as solicitações atuais da sociedade, quando atuam integradas às demais atividades de comunicação sob o guarda-chuva programático das relações públicas.


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