Na Terra dos Analfabetos
E cada vez chega mais!
Como
se já não bastasse termos mais de 15 milhões
de brasileiros, acima de dez anos, que não sabem ler nem
escrever, segundo o IBGE, desse montante, mais de 2 milhões
(15%) têm menos de 30 anos. Ou seja, o problema é
grave, está na base do nosso país, vivo em nosso
presente, e ameaçando o futuro próximo.
Quem
não sabe ler, ignora todo um universo de informações,
de possibilidades de compor sua própria opinião
sobre os fatos, de cruzar as visões alheias, de ir mais
longe, de ser crítico. Imagine aquele que nem ao menos
pode reproduzir num papel o seu próprio nome? Isso é
trágico!
Depois
dos analfabetos funcionais, dos analfabetos absolutos, agora temos
os analfabetos digitais. O crescimento potente da tecnologia,
hardwares e softwares ocupando nossos espaços, impondo
um alarmante crescimento dos índices desse tal de analfabetismo
digital. Agora, quem nos socorrerá do naufrágio
nessa info-maré?
Há
anos suplantamos a conhecida Era da Informação,
com o avanço dos dispositivos tecnológicos agora
nem mais de fios e correntes elétricas as redes necessitam
para sobreviver e alimentar os hiperlinks entre os multialfabetizados,
ou melhor, os tecnoalfabetizados. Estamos no Tempo do Excesso
de Informação. Tornou-se desgastante a aventura
de pesquisar na rede Internet, são tantos links, mega-links-plus,
que devo confessar, estou com saudades da velha Barsa, da coleção
Conhecer e das pesquisas na biblioteca, hoje pré-histórica,
da Escola Ana Néri, onde estudei na infância.
Segundo
pesquisas do governo federal, maior investidor no setor da inclusão
digital do país, em cerca de três mil municípios
brasileiros podem ser identificados uma média de 17.000
projetos que atuam para combater o mais novo tipo de analfabeto:
o digital. São em sua maioria jovens que não navegam
pela internet, não sabem trocar e-mails com colegas e muito
menos conseguem entender tudo o que lêem.
-
Vc mora hj num país q tem 15 mila de analfa! E os índices
estão crescendo, pois não basta saber ler, tem que
ser incluído para não ser deletado. Para sonhar
com um futuro próspero, o diálogo digital é
um pré-requisito fundamental e não adianta nadar
contra isso.
-
Meu Deus, a tecnologia está esfriando as relações
humanas! Estamos caminhando para a solidão social.
Esqueça essas bobagens standars! A tecnologia não
vai alterar as nossas relações, nem distanciar as
pessoas. Nós já estamos distantes uns dos outros,
nós já somos essa geração isolada!
Eu sou eu, mas sou elisiolopes@ alguma coisa, ou algumas coisas.
Outras pessoas são tantas outras pessoas no mundo virtual,
floquinho@, denguinho@, morena@, delicia@, etc@... Cada um é
o que quer e a crise de identidade é inevitável.
. Quem sou eu? O do MSN? Orkut? Second Life? Ou aquele com quem
encontro todo dia no espelho, no trabalho, no travesseiro?
Esse
é o nosso tempo, e não dá para ficar offline
o tempo todo, a conecção tem que ser de larguíssima
banda, a placa mãe não pode ser madrasta, a memória
tem que ser cada vez mais generosa, e o alfabeto dessa nova escrita
é cada vez mais complexo.
Quem
não sabe usar um computador hoje, está condenado
a perder não só os bons empregos, perde os médios,
os ruins, perde tudo. A era digital evidenciou e ampliou as diferenças
entre as classes sociais, colocou um mundo de equipamentos entre
os que estão dentro, e os que estão totalmente ou
parcialmente por fora. Quem não sabe utilizar um computador,
ou desconhece um vocabulário mínimo de inglês
(porque ainda tem isso!) está condenado a ficar de fora.
E isso já está claro!
Como
bom baiano vou ser bem bairrista: estou alarmado! O problema da
Inclusão Digital é mundial, contudo mais de 65%
dos jovens analfabetos brasileiros vivem no Nordeste. Nem me contem
o índice de tecnoanalfabetos!
Para
um país que esse ano, entrou pela primeira vez para o grupo
de países de "alto desenvolvimento humano" no
ranking elaborado pelo Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento (PNUD), nós somos a “ovelha
negra” dos índices de analfabetismo (sem humor negro
por trás da afirmação).
O
que fazer? Não podemos dizer que não existem iniciativas
dos poderes públicos, o governo está agindo. Qualquer
analista mediano sabe que a Inclusão Digital é prioridade
mundial. Mas nessa conta, nós não podemos deixar
de fora, aqueles que não sabem ler as placas de sinalização
que gritam: perigo! Aqueles que não identificam o espaço
que podem ocupar no mapa de “ser gente”.
A
dívida do Brasil é com os escravizados, independente
da cor, com os desertados, independente da raça, com os
excluídos de cidadania. Chame de Inclusão Digital
ou infoinclusão, como quiser, meu voto é para a
Inclusão Cidadã! É ela que vai nos levar
a uma rede mundial. Uma rede de proteção, onde haverá
saúde, alimentação, moradia e educação.
Aí
sim, esse cidadão atendido em suas necessidades baixas
fisiológicas e de segurança, poderá pensar
na socialização, na auto-estima, no afeto, sonhar
com grandes realizações.
Será
esse cidadão, alimentado, alfabetizado e amparado, que
vai nadar com força, com vigor e com certeza estará
apto a conectar-se a todas as redes, e realizar downloads de uma
potência impressionante, cheios de criatividade, como todo
bom brasileiro pode ser capaz... um dia.
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