As Instituições do Terceiro Setor precisam de Relações
Públicas
A
área social trouxe demandas que o Estado não tem
conseguido atender. Diante disso, a sociedade procura oferecer
a sua contribuição visando suprir essa lacuna e,
assim, minimizar as dificuldades dos menos favorecidos; surgem
as organizações do chamado terceiro setor, com várias
denominações e um objetivo comum: possibilitar ações
sociais que venham transformar a realidade do público em
prol do qual se propuserem a trabalhar.
O
Terceiro Setor compreende as instituições que realizam
práticas sociais, sem fins lucrativos, que geram bens e
serviços de caráter público, tais como: instituições
religiosas, clubes de serviços, entidades beneficentes,
centros sociais, organizações de voluntariado, Ongs
etc.
Visa
também o Terceiro Setor, trabalhar valores com seus públicos
de interesse, que os motivem a busca de qualidade de vida, o despertar
para a cidadania, a partilha, a solidariedade, a fé, o
profissionalismo das habilidades etc.
Por
aglutinarem grande número de voluntários, das mais
variadas formações, criaram uma forma de administrar,
própria. Essa atitude tem trazido dificuldades para a gestão,
limitando suas ações, pois o crescimento requer
pessoal especializado e profissionalismo.
Cientes
dessa constatação, algumas instituições
de porte maior já mantêm em seus quadros esses profissionais,
com vínculo empregatício, tornando-se, portanto,
também, geradoras de empregos. Nesse contexto estão
também as relações públicas, que são
uma atividade que busca manter as boas relações
entre as organizações e seus públicos, usando
para isso as estratégias adequadas que são do domínio
dessa área da comunicação social.
Pode,
portanto, relações públicas dar sua contribuição
para que essas instituições sintam a força
da comunicação, e se viabilizem como terceiro setor
eficiente e forte.
A
Pesquisa
Pesquisou-se
para este trabalho quatro instituições do Terceiro
Setor: filantrópica, de voluntariado, religiosa e clube
de serviço.
As
instituições religiosas católicas são
reconhecidamente muito atuantes como instituições
do Terceiro Setor, há muitos anos. A Paróquia pesquisada
é um grande exemplo a ser seguido. Desenvolve um trabalho
inegavelmente de grande valor junto a todos os seus públicos.
Todas
as suas ações estão organizadas em três
diferentes dimensões: sacramental, catequético-permanente
e comunitária. É uma dinâmica que flui de
maneira organizada e precisa, sob a eficiente coordenação
geral de seu Pároco.
A
Pastoral da Comunicação faz a comunicação
formal com os públicos da Paróquia por meio de site,
boletim e revista. A produção é feita por
voluntários, tendo entre eles especialistas em comunicação.
Todas as demais pastorais, no que tange a relações
públicas/comunicação, não contam com
pessoas especializadas.
Em
todas as ações que se realiza nota-se atividades
próprias de relações públicas, embora
se perceba a falta da aplicação de técnicas
apropriadas e atitudes pró-ativas.
A
instituição filantrópica possui uma assessoria
de imprensa voluntária, a única especialista. As
outras atividades de comunicação são produzidas
por pessoas voluntárias ou com vínculo empregatício,
sem formação específica.
O
clube de serviço possui algumas atividades de comunicação
executadas pelos associados, pessoas competentes em seus campos
de ação, mas desconhecedores das técnicas
especializadas para fazer comunicação. Os veículos
vindos de suas instâncias superiores, como a revista, são
adequados.
A
de voluntariado não possui praticamente nada que possa
ser considerado atividade de relações públicas.
Apenas dois eventos em parceria divulgam o trabalho de 15 abnegadas
senhoras.
Resultado
da Pesquisa
Nenhuma
das instituições do Terceiro Setor que foram pesquisadas
possui setor/assessoria de relações públicas.
Observou-se, porém, que algumas das atividades realizadas
podem ser consideradas de relações públicas,
mas requerem planejamento para não se tornarem ações
isoladas e com isso perderem a sua força.
A
presença de pessoal especializado em relações
públicas/comunicação é pequena. Muitos
que atuam nessas instituições são voluntários
que trazem a sua contribuição dentro da sua área
de formação. Quando a sua área de formação
não tem aplicação, a dedicação
e a boa vontade são aproveitadas da melhor forma possível.
Todas
as instituições reconhecem a grande importância
do trabalho de relações públicas para o desenvolvimento
do Terceiro Setor.
Os
estudos feitos e pesquisas realizadas junto a essas quatro instituições
de segmentos diferentes do Terceiro Setor permitem que se faça
as seguintes afirmações:
•
o Terceiro Setor é grande e está em crescimento
na cidade de Campinas- SP;
• as pessoas que atuam no Terceiro Setor não são
só voluntárias;
• o Terceiro Setor contribui para a geração
de empregos;
• o Terceiro Setor não conta com serviços
de relações públicas;
• relações públicas é uma atividade
que pode contribuir de maneira significativa para o desenvolvimento
e fortalecimento do Terceiro Setor, utilizando técnicas
apropriadas em todas as ações das instituições,
inclusive sendo pró-ativa.
Conclusão
O
Terceiro Setor é amplo, composto por instituições
com especificidades próprias. As instituições
pesquisadas - religiosa, beneficente, voluntariado e clube de
serviço – deixaram claro que um serviço de
relações públicas muito facilitaria e contribuiria
para a efetivação da relação instituição/públicos.
Nem
toda instituição pode, por determinação
de seus estatutos, ter funcionários com vínculo
empregatício ou voluntários. Mas aquelas cujos estatutos
permitem, tornam-se geradoras de empregos e/ou abrem suas portas
ao voluntariado. Torna-se, portanto, um nicho de mercado para
varias profissões, em particular para relações
públicas.
Pôde-se
observar que as pesquisadas poderiam utilizar estratégias
muito além daquelas que são postas em prática
se um serviço de relações públicas,
voluntário ou com vínculo empregatício, fizesse
parte do quadro funcional dessas instituições.
O
terceiro setor tem se sustentado com a disponibilidade do voluntariado,
mas à medida que cresce começa a exigir também
pessoas especializadas para atuarem nos seus diversos setores.
Recomendações
Seria
de grande valia que os alunos das Faculdades de Relações
Públicas fossem estimulados a participar de forma voluntária
ou empregatícia de instituições do Terceiro
Setor, exercitando os seus conhecimentos e contribuindo para o
crescimento desse Setor que tem suprido as deficiências
do Estado.
A disciplina Consultoria e a disciplina Responsabilidade Social
que fazem parte do currículo da faculdade poderiam ser
as catalisadoras dessa atividade.
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WWW.terceirosetor.org.br
WWW.fundaçãoabrinq.org.br
WWW.ethos.org.br
Outros
artigos dessa autora:
Relações
Públicas: uma nova classificação para seus
públicos