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Relações Públicas, Comunicação Dirigida e Responsabilidade Social

CLEUZA CESCA

Professora da PUC-Campinas. Autora de vários livros na área de Relações Públicas, dentre os quais o célebre Comunicação Dirigida Escrita na Empresa e o mais novo Relações Públicas e suas Interfaces.

As Instituições do Terceiro Setor precisam de Relações Públicas

A área social trouxe demandas que o Estado não tem conseguido atender. Diante disso, a sociedade procura oferecer a sua contribuição visando suprir essa lacuna e, assim, minimizar as dificuldades dos menos favorecidos; surgem as organizações do chamado terceiro setor, com várias denominações e um objetivo comum: possibilitar ações sociais que venham transformar a realidade do público em prol do qual se propuserem a trabalhar.

O Terceiro Setor compreende as instituições que realizam práticas sociais, sem fins lucrativos, que geram bens e serviços de caráter público, tais como: instituições religiosas, clubes de serviços, entidades beneficentes, centros sociais, organizações de voluntariado, Ongs etc.

Visa também o Terceiro Setor, trabalhar valores com seus públicos de interesse, que os motivem a busca de qualidade de vida, o despertar para a cidadania, a partilha, a solidariedade, a fé, o profissionalismo das habilidades etc.

Por aglutinarem grande número de voluntários, das mais variadas formações, criaram uma forma de administrar, própria. Essa atitude tem trazido dificuldades para a gestão, limitando suas ações, pois o crescimento requer pessoal especializado e profissionalismo.

Cientes dessa constatação, algumas instituições de porte maior já mantêm em seus quadros esses profissionais, com vínculo empregatício, tornando-se, portanto, também, geradoras de empregos. Nesse contexto estão também as relações públicas, que são uma atividade que busca manter as boas relações entre as organizações e seus públicos, usando para isso as estratégias adequadas que são do domínio dessa área da comunicação social.

Pode, portanto, relações públicas dar sua contribuição para que essas instituições sintam a força da comunicação, e se viabilizem como terceiro setor eficiente e forte.

A Pesquisa

Pesquisou-se para este trabalho quatro instituições do Terceiro Setor: filantrópica, de voluntariado, religiosa e clube de serviço.

As instituições religiosas católicas são reconhecidamente muito atuantes como instituições do Terceiro Setor, há muitos anos. A Paróquia pesquisada é um grande exemplo a ser seguido. Desenvolve um trabalho inegavelmente de grande valor junto a todos os seus públicos.

Todas as suas ações estão organizadas em três diferentes dimensões: sacramental, catequético-permanente e comunitária. É uma dinâmica que flui de maneira organizada e precisa, sob a eficiente coordenação geral de seu Pároco.

A Pastoral da Comunicação faz a comunicação formal com os públicos da Paróquia por meio de site, boletim e revista. A produção é feita por voluntários, tendo entre eles especialistas em comunicação. Todas as demais pastorais, no que tange a relações públicas/comunicação, não contam com pessoas especializadas.

Em todas as ações que se realiza nota-se atividades próprias de relações públicas, embora se perceba a falta da aplicação de técnicas apropriadas e atitudes pró-ativas.

A instituição filantrópica possui uma assessoria de imprensa voluntária, a única especialista. As outras atividades de comunicação são produzidas por pessoas voluntárias ou com vínculo empregatício, sem formação específica.

O clube de serviço possui algumas atividades de comunicação executadas pelos associados, pessoas competentes em seus campos de ação, mas desconhecedores das técnicas especializadas para fazer comunicação. Os veículos vindos de suas instâncias superiores, como a revista, são adequados.

A de voluntariado não possui praticamente nada que possa ser considerado atividade de relações públicas. Apenas dois eventos em parceria divulgam o trabalho de 15 abnegadas senhoras.

Resultado da Pesquisa

Nenhuma das instituições do Terceiro Setor que foram pesquisadas possui setor/assessoria de relações públicas. Observou-se, porém, que algumas das atividades realizadas podem ser consideradas de relações públicas, mas requerem planejamento para não se tornarem ações isoladas e com isso perderem a sua força.

A presença de pessoal especializado em relações públicas/comunicação é pequena. Muitos que atuam nessas instituições são voluntários que trazem a sua contribuição dentro da sua área de formação. Quando a sua área de formação não tem aplicação, a dedicação e a boa vontade são aproveitadas da melhor forma possível.

Todas as instituições reconhecem a grande importância do trabalho de relações públicas para o desenvolvimento do Terceiro Setor.

Os estudos feitos e pesquisas realizadas junto a essas quatro instituições de segmentos diferentes do Terceiro Setor permitem que se faça as seguintes afirmações:

• o Terceiro Setor é grande e está em crescimento na cidade de Campinas- SP;
• as pessoas que atuam no Terceiro Setor não são só voluntárias;
• o Terceiro Setor contribui para a geração de empregos;
• o Terceiro Setor não conta com serviços de relações públicas;
• relações públicas é uma atividade que pode contribuir de maneira significativa para o desenvolvimento e fortalecimento do Terceiro Setor, utilizando técnicas apropriadas em todas as ações das instituições, inclusive sendo pró-ativa.

Conclusão

O Terceiro Setor é amplo, composto por instituições com especificidades próprias. As instituições pesquisadas - religiosa, beneficente, voluntariado e clube de serviço – deixaram claro que um serviço de relações públicas muito facilitaria e contribuiria para a efetivação da relação instituição/públicos.

Nem toda instituição pode, por determinação de seus estatutos, ter funcionários com vínculo empregatício ou voluntários. Mas aquelas cujos estatutos permitem, tornam-se geradoras de empregos e/ou abrem suas portas ao voluntariado. Torna-se, portanto, um nicho de mercado para varias profissões, em particular para relações públicas.

Pôde-se observar que as pesquisadas poderiam utilizar estratégias muito além daquelas que são postas em prática se um serviço de relações públicas, voluntário ou com vínculo empregatício, fizesse parte do quadro funcional dessas instituições.

O terceiro setor tem se sustentado com a disponibilidade do voluntariado, mas à medida que cresce começa a exigir também pessoas especializadas para atuarem nos seus diversos setores.

Recomendações

Seria de grande valia que os alunos das Faculdades de Relações Públicas fossem estimulados a participar de forma voluntária ou empregatícia de instituições do Terceiro Setor, exercitando os seus conhecimentos e contribuindo para o crescimento desse Setor que tem suprido as deficiências do Estado.
A disciplina Consultoria e a disciplina Responsabilidade Social que fazem parte do currículo da faculdade poderiam ser as catalisadoras dessa atividade.

Bibliografia

ANDRADE, C.Teobaldo S.Curso de Relações Públicas.5ª Ed. São Paulo: Summus, 1994.
CESCA, Cleuza G. Gimenes. Comunicação Dirigida Escrita na Empresa -Teoria e prática. 4ª edição –revisada, ampliada. São Paulo: Summus Editorial, 2006.
CAPRIOTTI, Paul. Planificación Estratégica de la Imagen Corporativa” Barcelona: Ariel Comunicación, 1999.
CORRADO, Frank M. A Força da Comunicação. São Paulo: Makron Books,1994.
DOTY, Doroty I. Publicity and Public Relations. New York: Barron’s, 1990.
FINTAN, Lawless. A Responsabilidade Social das Empresas Multinacionais no 3º setor. Tese. Depto filosofia da Puc-Rio de Janeiro, 1993.
FORTES, Waldyr Gutierrez.Relações Públicas: processo, funções, tecnologias e estratégias: Ed. UEL, 2004.
HARRIS, Thomas L. The Marketer’s guide to Public Relations. New York: John Wiley & Sons, 199l.
KUNSCH, Margarida M.K. Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada. 4ª ed. revisada e ampliada. São Paulo: Summus Editorial, 2003.
MARTINELLI, Antônio C. 3º Setor: Desenvolvimento Social Sustentado. Editora Paz e Terra. Rio de Janeiro, 1997.
REGO, Francisco Gaudêncio Torquato. Comunicação Empresarial – Comunicação Institucional. São Paulo: Summus, 2004.
TENÓRIO, Fernando G. (Org) Gestão de ONGs. 7ª Edição. São Paulo: Ed. Fundação Getúlio, 2003.
WWW.terceirosetor.org.br
WWW.fundaçãoabrinq.org.br
WWW.ethos.org.br


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