Blogs na comunicação organizacional:
boas opções de relacionamento virtual
A
comunicação digital e as novas tecnologias digitais
em geral proporcionam espaços de expressão, como
blogs, sites, posts (comentários que ficam visíveis
aos leitores do site ou daquela página web), mensagens
instantâneas, fóruns, chats, salas de bate-papo,
que permitem que qualquer indivíduo com acesso à
rede publique ou divulgue opiniões, pensamentos, idéias,
etc. Entramos na era da cultura livre. Não é preciso
que aceitemos tudo o que os produtores e detentores dos grandes
veículos de comunicação e as corporações
nos oferecem. Temos a oportunidade e a facilidade de comunicarmos,
o que nos confere real liberdade de expressão.
Diante
desse cenário de expressão, os blogs se destacam
como ferramenta de comunicação, seja interna ou
externa, seja para organizações, personalidades,
celebridades ou para o indivíduo comum.
Blog
é uma abreviação de weblog, que significa
registro na web. Os weblogs ou simplesmente blogs, multiplicaram-se
na rede a partir de 1999 e se tornaram uma forma popular de divulgação
e busca de notícias e informações on-line.
Os conteúdos e temas abordados nos blogs vão desde
diários pessoais, piadas, links, notícias, idéias,
fotografias a formas de comunicação interna entre
grupos de trabalho. Cada blog apresenta links para outros formando,
assim, uma imensa rede de pessoas publicando idéias afins.
(Pinto, 2002:15).
O
blog é considerado um veículo opinativo, pois exprime
pontos de vista de quem os redige. Como instrumento de comunicação
organizacional, deve seguir a mesma linha dos demais veículos
da empresa. Segundo Zibenberg (apud Hungria e Araújo, 2005:
61), dada a importância desses veículos, a imprensa
americana já recorre a alguns blogs para pautar a grande
imprensa – jornais, revistas e emissoras de TV. Para Cavalcanti
(2005b), o grande fato que levou os portais Yahoo! e Google a
incluir os blogs em suas buscas são a popularização
desses mecanismos, o poder social da blogosfera, a crescente evolução
em termos de qualidade de conteúdo e layout, a adoção
por parte dos profissionais de comunicação do weblog
como propagador de idéias, o surgimento de veículos
independentes no formato weblog (e que hoje são formadores
de opinião) e a criação de weblogs por jornais
online pertencentes a grupos de mídia tradicionais.
Como
ferramenta de comunicação interna ou externa, provoca
uma mudança de paradigma no relacionamento corporativo.
Clientes e parceiros de negócios têm, nos blogs,
possibilidade de interação com a empresa: “(...)
enquanto o marketing e as relações públicas
se encarregam de transmitir a mensagem unificada da companhia,
os blogs são mais parecidos com uma conversa casual com
consumidores e parceiros”. (Teixeira Júnior, 2005:
106). Executivos do alto escalão das organizações
como a GM, a Boeing e a Microsoft têm nos blogs um canal
de comunicação com alguns de seus públicos.
Para
ter acesso ao blog não é necessário conhecer
a linguagem HTML ou outra ferramenta mais técnica, o que
representa uma vantagem em termos de acesso à comunicação.
Algumas
empresas até já substituem newsletters por business
blogs, uma vez que as news conservam características da
“velha mídia” (impressa). Mais uma vez, nota-se
a alteração do paradigma da comunicação
assimétrica e de mão única para uma comunicação
cada vez mais bilateral. Porém, com tanta liberdade nas
mãos dos públicos, existem riscos que a organização
deve se preparar para não entrar em crise ou até
mesmo em bancarrota. Políticas de uso do blog e pessoas
altamente qualificadas com poder decisório “online”
se fazem imprescindíveis se a organização
resolver “navegar” nesse ciberespaço.
No
ambiente corporativo, portanto, os blogs abrem diversas possibilidades
de comunicação: pode-se ter um blog do(s) principal(is)
executivo(s) da companhia com o público interno ou com
públicos estratégicos como investidores, acionistas,
clientes, imprensa, etc.; pode-se ter um blog como veículo
de mão dupla entre alta administração/colaboradores
e vice-versa; pode-se ter um “flog” ou falso (pseudo)
blog como agente de marketing da empresa, promovendo a imagem
da organização, seus produtos e serviços;
pode-se construir um fotolog para abrigar fotos dos empregados
em confraternizações, celebrações
e eventos da empresa em geral; pode-se desenvolver uma lista de
questões que geram dúvidas nos clientes e resolvê-las
via blog, de forma mais amigável e informal; entre dezenas
de outras oportunidades.
O
profissional de relações públicas se ocuparia
de monitorar blogs que causem impacto para as organizações
para as quais trabalham, podendo ser responsáveis pelo
teor e conteúdo dos blogs corporativos dirigidos aos públicos
internos ou externos, além de verificar se o veículo
é o mais adequado ao seu público-alvo.
As
RP assumem cada vez mais papel de gestoras do processo comunicacional,
avaliando meios mais eficientes para cada público. As novas
tecnologias (que daqui a pouco não serão mais novas!)
criam uma ponte entre a fonte e o leitor/usuário, subvertendo
a ordem tradicional da comunicação, permitindo que
qualquer indivíduo seja produtor de informação
e formador de opinião, sem intermediários, por meio
de um suporte que é, em tese, democrático. Em artigo
no livro Políticas de Comunicação Corporativa,
a montadora General Motors ilustra bem o papel da comunicação
social diante das novas tecnologias.
E
é aí que, cada vez mais, o receptor/usuário
adquire mais importância, com o poder de selecionar conteúdos
que lhe interessam e também gerar conteúdos.
O
profissional de RP deve ser o grande administrador da Web apoderando-se
das funções de monitoramento e controle da Internet,
escolhendo as melhores ferramentas para falar com os públicos
de interesse e se tornando um formador de opinião, influenciando
comportamentos e formas de se relacionar no meio digital. Deve,
ainda, se valer de sua condição de 7ª posição
no ranking das profissões mais promissoras do futuro, segundo
dados da Revista Exame, e aproveitar para se consolidar e se legitimar
nesse meio que promete ser o principal.
Referências
bibliográficas
CAVALCANTI,
Mário Lima. Weblog cresce como fonte noticiosa. Disponível
em http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D24455%26Editoria%3D135%26Op2%
3D1%26Op3%3D0%26pid%3D5520935809%26fnt%3Dfntn. Acesso em 20/10/2005(b).
CAVALCANTI,
Mário Lima. De bem com o tradicional. Disponível
em http://www.comunique-se.com.br/conteudo/newsprint.asp?editoria=135&idnot=23970.
Acesso em 21/09/2005(a).
HUNGRIA,
Júlio e ARAÚJO, Elisa. (orgs.) Blue Bus: guia para
acompanhar nossos primeiros dez anos de estrada. Rio de Janeiro:
E. Araújo, 2005.
PINTO,
Marcos José. Blogs! Seja um editor na era digital. São
Paulo: Érica, 2002.
POLÍTICAS
de Comunicação Corporativa. Organizador: Laboratório
Integrado de Marketing e Cultura. São Paulo: COM-ARTE,
2005. 332 p.
TEIXEIRA
JÚNIOR, Sérgio. O blog que fala. Revista Exame,
22/06/2005. P. 106-107.
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artigos dessa autora:
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