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A Pluralidade das Relações Públicas

CAROLINA FRAZON TERRA

Carolina Terra é doutora e mestre em Interfaces Sociais da Comunicação, ambas pela Escola de Comunicações e Artes da USP. É diretora de Mídias Sociais da agência Ideal e pesquisadora do tema. Além disso, é docente para os cursos de Relações Públicas e Publicidade e Propaganda da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, e da pós-graduação em Comunicação Digital, da ECA-USP. É autora do livro Blogs Corporativos (Difusão Editora) e editora do blog RPalavreando.

Blogs na comunicação organizacional:
boas opções de relacionamento virtual

A comunicação digital e as novas tecnologias digitais em geral proporcionam espaços de expressão, como blogs, sites, posts (comentários que ficam visíveis aos leitores do site ou daquela página web), mensagens instantâneas, fóruns, chats, salas de bate-papo, que permitem que qualquer indivíduo com acesso à rede publique ou divulgue opiniões, pensamentos, idéias, etc. Entramos na era da cultura livre. Não é preciso que aceitemos tudo o que os produtores e detentores dos grandes veículos de comunicação e as corporações nos oferecem. Temos a oportunidade e a facilidade de comunicarmos, o que nos confere real liberdade de expressão.

Diante desse cenário de expressão, os blogs se destacam como ferramenta de comunicação, seja interna ou externa, seja para organizações, personalidades, celebridades ou para o indivíduo comum.

Blog é uma abreviação de weblog, que significa registro na web. Os weblogs ou simplesmente blogs, multiplicaram-se na rede a partir de 1999 e se tornaram uma forma popular de divulgação e busca de notícias e informações on-line. Os conteúdos e temas abordados nos blogs vão desde diários pessoais, piadas, links, notícias, idéias, fotografias a formas de comunicação interna entre grupos de trabalho. Cada blog apresenta links para outros formando, assim, uma imensa rede de pessoas publicando idéias afins. (Pinto, 2002:15).

O blog é considerado um veículo opinativo, pois exprime pontos de vista de quem os redige. Como instrumento de comunicação organizacional, deve seguir a mesma linha dos demais veículos da empresa. Segundo Zibenberg (apud Hungria e Araújo, 2005: 61), dada a importância desses veículos, a imprensa americana já recorre a alguns blogs para pautar a grande imprensa – jornais, revistas e emissoras de TV. Para Cavalcanti (2005b), o grande fato que levou os portais Yahoo! e Google a incluir os blogs em suas buscas são a popularização desses mecanismos, o poder social da blogosfera, a crescente evolução em termos de qualidade de conteúdo e layout, a adoção por parte dos profissionais de comunicação do weblog como propagador de idéias, o surgimento de veículos independentes no formato weblog (e que hoje são formadores de opinião) e a criação de weblogs por jornais online pertencentes a grupos de mídia tradicionais.

Como ferramenta de comunicação interna ou externa, provoca uma mudança de paradigma no relacionamento corporativo. Clientes e parceiros de negócios têm, nos blogs, possibilidade de interação com a empresa: “(...) enquanto o marketing e as relações públicas se encarregam de transmitir a mensagem unificada da companhia, os blogs são mais parecidos com uma conversa casual com consumidores e parceiros”. (Teixeira Júnior, 2005: 106). Executivos do alto escalão das organizações como a GM, a Boeing e a Microsoft têm nos blogs um canal de comunicação com alguns de seus públicos.

Para ter acesso ao blog não é necessário conhecer a linguagem HTML ou outra ferramenta mais técnica, o que representa uma vantagem em termos de acesso à comunicação.

Algumas empresas até já substituem newsletters por business blogs, uma vez que as news conservam características da “velha mídia” (impressa). Mais uma vez, nota-se a alteração do paradigma da comunicação assimétrica e de mão única para uma comunicação cada vez mais bilateral. Porém, com tanta liberdade nas mãos dos públicos, existem riscos que a organização deve se preparar para não entrar em crise ou até mesmo em bancarrota. Políticas de uso do blog e pessoas altamente qualificadas com poder decisório “online” se fazem imprescindíveis se a organização resolver “navegar” nesse ciberespaço.

No ambiente corporativo, portanto, os blogs abrem diversas possibilidades de comunicação: pode-se ter um blog do(s) principal(is) executivo(s) da companhia com o público interno ou com públicos estratégicos como investidores, acionistas, clientes, imprensa, etc.; pode-se ter um blog como veículo de mão dupla entre alta administração/colaboradores e vice-versa; pode-se ter um “flog” ou falso (pseudo) blog como agente de marketing da empresa, promovendo a imagem da organização, seus produtos e serviços; pode-se construir um fotolog para abrigar fotos dos empregados em confraternizações, celebrações e eventos da empresa em geral; pode-se desenvolver uma lista de questões que geram dúvidas nos clientes e resolvê-las via blog, de forma mais amigável e informal; entre dezenas de outras oportunidades.

O profissional de relações públicas se ocuparia de monitorar blogs que causem impacto para as organizações para as quais trabalham, podendo ser responsáveis pelo teor e conteúdo dos blogs corporativos dirigidos aos públicos internos ou externos, além de verificar se o veículo é o mais adequado ao seu público-alvo.

As RP assumem cada vez mais papel de gestoras do processo comunicacional, avaliando meios mais eficientes para cada público. As novas tecnologias (que daqui a pouco não serão mais novas!) criam uma ponte entre a fonte e o leitor/usuário, subvertendo a ordem tradicional da comunicação, permitindo que qualquer indivíduo seja produtor de informação e formador de opinião, sem intermediários, por meio de um suporte que é, em tese, democrático. Em artigo no livro Políticas de Comunicação Corporativa, a montadora General Motors ilustra bem o papel da comunicação social diante das novas tecnologias.

“No futuro, cada vez mais a comunicação social tenderá a exercer um papel fundamental na relação da empresa com seus diversos públicos, internos e externos. O pleno domínio das técnicas e ferramentas eletrônicas que estão surgindo ditará o grau de eficiência da empresa nesse campo”. (2005: 114)

E é aí que, cada vez mais, o receptor/usuário adquire mais importância, com o poder de selecionar conteúdos que lhe interessam e também gerar conteúdos.

O profissional de RP deve ser o grande administrador da Web apoderando-se das funções de monitoramento e controle da Internet, escolhendo as melhores ferramentas para falar com os públicos de interesse e se tornando um formador de opinião, influenciando comportamentos e formas de se relacionar no meio digital. Deve, ainda, se valer de sua condição de 7ª posição no ranking das profissões mais promissoras do futuro, segundo dados da Revista Exame, e aproveitar para se consolidar e se legitimar nesse meio que promete ser o principal.

Referências bibliográficas

CAVALCANTI, Mário Lima. Weblog cresce como fonte noticiosa. Disponível em http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D24455%26Editoria%3D135%26Op2% 3D1%26Op3%3D0%26pid%3D5520935809%26fnt%3Dfntn. Acesso em 20/10/2005(b).

CAVALCANTI, Mário Lima. De bem com o tradicional. Disponível em http://www.comunique-se.com.br/conteudo/newsprint.asp?editoria=135&idnot=23970. Acesso em 21/09/2005(a).

HUNGRIA, Júlio e ARAÚJO, Elisa. (orgs.) Blue Bus: guia para acompanhar nossos primeiros dez anos de estrada. Rio de Janeiro: E. Araújo, 2005.

PINTO, Marcos José. Blogs! Seja um editor na era digital. São Paulo: Érica, 2002.

POLÍTICAS de Comunicação Corporativa. Organizador: Laboratório Integrado de Marketing e Cultura. São Paulo: COM-ARTE, 2005. 332 p.

TEIXEIRA JÚNIOR, Sérgio. O blog que fala. Revista Exame, 22/06/2005. P. 106-107.


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