PARTICIPE
DA MOBILIZAÇÃO NACIONAL EM PROL DO CURSO DE RP DA
UFMG
Enquanto
coordenadores da Geral da Campanha Nacional de Valorização
da Profissão de Relações Públicas
vimos tornar público o nosso descontentamento com a possibilidade
de fechamento do curso de Relações Públicas
da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e estamos propondo
uma grande mobilização
nacional em prol do curso de RP da UFMG.
Logo
abaixo segue o manifesto dos alunos da instituição,
que deixará todos informados sobre os últimos acontecimentos,
argumentos e contra-argumentos, dos dois lados. Em seguida, relacionamos
os contatos das pessoas que podem decidir por um destino diferente
para o curso na UFMG, para que possamos enviar as nossas reivindicações.
Vamos juntos para mais uma batalha,
lembrando que da última vez que nos mobilizamos (no caso
do PLC79/2004, do pastor sanguessuga Amarildo) vencemos com louvor.
Relações Públicas
do nosso imenso e continental país: uní-vos!
Marcello
Chamusca e Márcia Carvalhal
Coordenadores da Campanha Nacional de Valorização
da Profissão de Relações Públicas
Visite
o Blog dos alunos da UFMG: http://direitoahabilitacaoderp.blogspot.com
Leia
o manifesto dos alunos da UFMG na íntegra:
Manifesto
sobre a Habilitação de Relações Públicas:
Um direito dos alunos da UFMG
Nós,
alunos do curso de comunicação social, sabemos das
discussões que foram levantadas, especialmente no ano passado,
com relação à suspensão das habilitações
de Relações Públicas e RTV, bem como da constituição
de uma reformulação profissional do curso de Comunicação
Social da UFMG.
Em
agosto de 2006, foi constituída uma Comissão de
Avaliação da Formação Profissional
do Curso de Comunicação Social, formada pelos professores
Dr. Bruno Souza Leal, Dr. César Guimarães, Dra.
Rousiley Maia, bem como pela representante discente Lívia
Furtado. Para indicar a decisão de suspender a habilitação
de Relações Públicas, a comissão levantou
os seguintes elementos balizadores:
-
Os desafios do ensino da comunicação no Brasil:
levantou-se aqui a necessidade de buscar a universidade pública
como local diferenciado, de resistência, estímulo
e criatividade; como produtora de conhecimento e não apenas
como local imediatista de formação mercadológica;
segundo a comissão, os cursos de comunicação,
historicamente, privilegiam uma visão instrumental da formação
profissional, em parte resultante do mesmo processo que fez constituir
o sistema midiático brasileiro;
-
A transformação das habilitações em
cursos autônomos representa um processo restrito de formação
“pois, ao tentar abarcar um conjunto de competências
e habilidades definidas estritamente pela habilitação,
converge para uma visão demasiadamente técnica do
trabalho e para um perfil circunscrito do profissional”,
tendo a Pós-graduação uma proposta de transcender
as habilitações tradicionais, a partir de um conhecimento
mais amplo, amparado em abordagens teóricas;
-
Desde 2004, dados indicavam a procura por duas habilitações
principais (PP/Jornalismo), que responderiam por mais de 80% dos
formandos e duas subsidiárias (RP/RTV) com menos de 10%
dos formandos, cada uma;
-
As habilitações deixam de ser o principal identificador
dos alunos, constituindo-se de fato num diploma apreciado pelo
seu valor de mercado e não como espelho de uma formação.
A eleição de duas habilitações principais
(jornalismo e publicidade e propaganda), nesse sentido, seria
coerente com o valor e o prestígio dos diplomas e com a
maior identificação das áreas de atuação
dos profissionais. Além disso, presenciava-se um número
reduzido de atividades em RP e RTV, dentro do conjunto maior das
habilitações;
-
Junto à extinção das habilitações
de RP e RTV, segue ainda uma proposta de constituição
do curso em quatro ênfases da formação em
Comunicação, que marcariam a identidade profissional
dos alunos, a oferta das atividades e a inserção
dos docentes, a saber:
·
Produção da notícia: a construção
da informação jornalística, a pesquisa
e a reportagem; a noticiabilidade conforme públicos e
veículos; a pesquisa jornalística e suas variações
conforme mídias e veículos; as implicações
éticas e epistemológicas do processo jornalístico
de construção da realidade; as relações
entre processo jornalístico, vida social, mídias
e linguagens;
·
Criação em Comunicação: a produção
de imagens gráficas, eletrônicas e digitais com
fins mercadológicos e artísticos; técnicas
e processos de produção em mídia impressa
e web. As articulações entre imagens e outras
linguagens e o processo de composição textual.
As dimensões estéticas e informativas das linguagens
gráficas e digitais. As relações entre
imagem e vida social: sociabilidade, política e de identidade;
·
Comunicação nas organizações: o
processo comunicacional como recurso estratégico de organizações
comerciais e sem fins lucrativos. O planejamento da comunicação:
processos, instrumentos, implicações. Ações
de comunicação considerando a segmentação
de públicos: a mobilização social.
·
Estudos comunicacionais: compreensão do processo comunicacional,
tendo em vista seus aspectos epistemológicos, Comunicação:
a sociais e de linguagens. As mídias: suas especificidades
e as relações com a vida social. Procedimentos
de análise de situações e produtos de comunicação:
processos, instrumentos, implicações. Estudos
de casos peculiares e significativos à vida contemporânea.
Especialmente
com relação à habilitação de
Relações Públicas, gostaríamos de
levantar algumas ponderações que, a nosso ver, são
de fundamental importância, tanto em relação
a alguns aspectos problemáticos desse relatório,
quanto com relação ao curso de Relações
Públicas da UFMG:
1)
A necessidade de formação humanística versus
o desafio de uma ciência social aplicada:
Os
cursos de comunicação social, de maneira geral,
inscrevem-se no campo das ciências sociais e humanas, recebendo
referencial teórico e humanístico na condução
de suas práticas, no entendimento da comunicação
social e mediatizada nas sociedades contemporâneas, bem
como no entendimento da comunicação como um processo
social e lingüístico mais amplo; contudo, a comunicação
social se imbui de desafios de uma ciência social aplicada:
sua formação pressupõe também um conhecimento
técnico dos processos, um conhecimento específico
de determinadas práticas. Tal questão, mais do que
uma questão mercadológica, representa uma questão
social: a comunicação, a partir de processos e técnicas,
encontra-se a serviço de uma sociedade, e é papel
também da universidade pública oferecer o aprendizado
dessas técnicas. Esse representa um argumento equivocado
para que a habilitação de Relações
Públicas seja suspensa: partindo desse pressuposto, todas
as habilitações apresentam um instrumental técnico
que, a partir desse argumento, deveriam ser também suspensas.
Um outro fato é que a lógica de habilitações
não é excluída das diretrizes do Mec para
os cursos de comunicação; de fato, preconiza-se
a existência de ênfases de formação;
contudo, tais ênfases devem estar conjugadas com as habilitações
em questão.
2)
As habilitações verus uma lógica holística
Como
apontado no relatório, o entendimento da comunicação
a partir de habilitações apresenta um entendimento
redutor da comunicação; realmente isso é
fato: o profissional que se forma e se especializa apenas numa
área de formação específica deixa
de apreender o todo do processo comunicativo; contudo, se a lógica
de habilitações não deve ser seguida, a partir
desse argumento, porque manter as habilitações de
jornalismo e publicidade, já que, em alguma medida, elas
acabam “taxando” o profissional formado, e incluindo-o
num determinado conjunto de expectativas com relação
a sua formação? Por que, portanto, não suspender
todas as habilitações e propor um novo lugar de
resistência e inovação da universidade pública?
No item e (acima relatado), quando se propõe que as habilitações
deixam de ser o principal identificador dos alunos, porque escolher
duas habilitações, portanto, se a lógica
que as rege é a mesma que pede a suspensão de Relações
Públicas?
3)
A crítica a uma lógica mercadológica versus
argumento de procura
No
início do relatório, tal comissão apresentou
dura crítica a uma formação mercadológica,
e que a universidade pública deve ser o lugar do estímulo,
da criação, da resistência. Contudo, há
também aqui um grande equívoco quando um dos argumentos
principais é levantado para a extinção da
habilitação de Relações Públicas:
a baixa procura pelos alunos. Ora, será que uma universidade
pública se mantêm por uma lógica de procura,
mas por uma lógica de oferecer uma determinada formação
relevante? Será que a baixa procura é dado suficiente
para a suspensão do curso de Relações Públicas?
Será que este fato não representa apenas uma questão
conjuntural? Será que aqueles que se formaram em Relações
Públicas na UFMG não oferecem contribuições
relevantes à sociedade?
4)
As ênfases de formação: o mesmo conteúdo
das Relações Públicas
Na
proposição das ênfases de formação,
uma delas, “A comunicação das organizações”
passa a contemplar os conteúdos da habilitação
de Relações Públicas. Se o conteúdo
será o mesmo, por que se suspender tal habilitação?
A questão principal de tudo isso é que tal suspensão
nega um direito que os alunos da UFMG sempre tiveram, desde que
o curso, em 1975, foi dividido em habilitações:
optar pela habilitação de Relações
Públicas. E tal questão, apresenta uma série
de implicações.
A
habilitação de Relações Públicas
é regulamentada e, dentre as habilitações
da comunicação, é a única que possui
um Conselho: o Conselho dos Profissionais de Relações
Públicas. Uma das funções deste conselho
é regulamentar e fiscalizar a profissão de Relações
Públicas. Isso significa dizer que um profissional, para
executar as funções de comunicação
estratégica e comunicação nas organizações,
deve ser formado na habilitação de Relações
Públicas. Tal questão vale tanto para a participação
em concursos públicos, quanto para o trabalho em empresas
privadas e em organizações do terceiro setor. Será
que a extinção dessa habilitação e
a continuidade do mesmo corpo de conhecimentos não representa
uma negação ao direito dos alunos de terem a oportunidade
de se formar em tal habilitação? Dito de outra maneira,
será que essa proposta não acaba negligenciando
um direito dos alunos de se formarem na habilitação
de Relações Públicas e poderem exercer, profissionalmente
ou mesmo academicamente (os professores de Relações
Públicas também são fiscalizados pelo Conselho)
este campo de práticas e conhecimentos? Assim, propor uma
visão generalista de formação é uma
questão correta, mas porque retirar o direito dos alunos
de se formarem numa habilitação que hoje é
reconhecida e que é investida de regulamentação?
5)
A imbricação de três discussões: a
formação, as habilitações, a conjuntura
do curso da UFMG desde 2004
A
partir de todas essas questões levantadas no relatório
proposto, é possível observar três discussões
que parecem se imbricar, e que todas elas dão por solução
a suspensão das habilitações de Relações
Públicas e Rádio e TV: uma questão da formação;
uma questão de habilitação; uma questão
da conjuntura da habilitação de RP desde 2004.
Uma
formação restrita por habilitação
é questão clara, e inteligível. Ou seja,
a formação de qualquer profissional deve ser ampla.
Contudo, a solução de tudo isso passa por investimentos
no currículo, no curso e na formação dos
professores. Será que a suspensão de uma habilitação
resolve o problema da formação do aluno de comunicação
social? Neste caso, tal suspensão, além de poder
não resolver, como vimos, acaba por retirar um direito
dos alunos de se formarem numa habilitação reconhecida
pela sociedade e por uma autarquia federal. Negligenciar o direito
do aluno cursar Relações Públicas certamente
é negligenciar uma realidade que os alunos enfrentarão,
após se formarem, e só o conhecimento da Comunicação
das Organizações não é suficiente:
é preciso a titulação. Será mesmo
que uma universidade pública deve estar alheia a isso?
Nesse sentido, há uma certa confusão apresentada
no relatório, e é possível perceber que se
questiona muito mais uma questão de formação
dos alunos do que uma questão da pertinência da habilitação.
Uma
outra questão é a própria conjuntura da habilitação
de Relações Públicas da UFMG. A habilitação
conta, oficialmente, com três professores efetivos; contudo,
um, desde 2004, encontrava-se em licença para doutoramento
e retornou agora, em 2007; outra, aposentou-se entre 2001 e 2002
e uma outra se encontra de licença médica. O curso
passou por uma série de problemas, e, sem professores substitutos
suficientes, acabou por prejudicar a formação dos
alunos, nestes três anos. Hoje, encontram-se trabalhando
três professores substitutos para a área de Relações
Públicas, além do professor efetivo, e, certamente
isso traz outra configuração para a habilitação
e para a formação dos alunos. Será que, portanto,
suspender a habilitação de Relações
Públicas não seria prematuro demais? Entender essa
questão apenas como uma questão conjuntural, cuidar
do concurso de um novo professor para a área e manter os
substitutos, além de investimento em projetos, não
seria mais correto, tendo em vista a história do curso
e da formação dos alunos que, a partir dessa proposta,
parece ser negligenciada?
6)
Relações Públicas: mais que um conhecimento
técnico
As
Relações Públicas, mais que um conjunto de
técnicas e práticas, apresenta-se como um campo
de conhecimentos reconhecido no Brasil, inclusive como área
de formação do CNPQ. Nesse sentido, excluir tal
habilitação por se constituir como um corpo de conhecimentos
técnicos – como argumentado no relatório –
não seria inaplicável?
7)
A estrutura e a produção da habilitação
de Relações Públicas na UFMG
A
habilitação de Relações Públicas
na UFMG conta com a estrutura do Laboratório de Relações
Públicas Plínio Carneiro (Larp) que congrega os
projetos da área, além de contar com uma funcionária
responsável dessa universidade, graduada em Relações
Públicas. Ao longo de sua história, o Larp foi responsável
por uma série de projetos, como consta em seu histórico.
Além disso, no Larp, um projeto de extensão denominado
Mobiliza – Comunicação para a Mobilização
Social, representa um programa pioneiro no Brasil que insere,
TEORICAMENTE, a questão da mobilização social
como um problema de Relações Públicas. Por
meio do MOBILIZA, foram publicados, pela Editora Autêntica,
em 2004, 2005 e 2006 a coleção “Comunicação
para a Mobilização Social”, sendo os livros:
“Comunicação e Estratégias de Mobilização
Social”, “Visões de Futuro: Responsabilidade
Compartilhada e Mobilização Social” e “Entre
o espetáculo, a festa e a argumentação: mídia,
comunicação estratégica e mobilização
social”, todos esses conhecimentos produzidos tendo como
uma de suas referências os conhecimentos das Relações
Públicas. Além disso, o Larp conta com projetos
de conclusão de curso premiados em concursos nacionais
da área, além de representar um espaço congregador
para as discussões relativas à profissão.
Também vale destacar que o Laboratório de Relações
Públicas submeteu um projeto ao Programa Especial de Graduação
– PEG – para levantar o perfil da habilitação
de Relações Públicas, projeto este aprovado
pela Prograd, que certamente contribuirá para uma melhor
avaliação da habilitação. Será
que não seria prematura uma decisão de suspender
a habilitação antes do resultado deste PEG?
Ainda
é possível ressaltar que a habilitação
de Relações Públicas, ao contrário
de outras habilitações, não apresenta grandes
demandas de aparelhagem técnica para a formação
dos alunos. São necessários um investimento teórico
pesado, um entendimento dos processos comunicativos estratégicos,
e uma prática comunicativa técnica (publicitária
e jornalística) que pode ser, perfeitamente, compartilhada
com as outras habilitações. Por que acabar, então,
com a habilitação de Relações Públicas?
Por que negligenciar esse direito dos alunos? Qual justificativa
seria plausível?
8)
Mais que uma questão de habilitação: uma
questão de compromisso público
O
curso de Relações Públicas da UFMG representa
o único curso de Relações Públicas
em Minas Gerais, oferecido numa universidade pública (inclusive,
muitos dos ex-alunos que aqui se formam são professores
em outras instituições). Excluir a habilitação
de Relações Públicas da UFMG é excluir
o compromisso público dessa universidade e negligenciar
o direito dos alunos de se formar em Relações Públicas.
Ignorar tudo isso é ignorar o papel dessa universidade
na sociedade; é fazer coro a uma lógica quantitativa
e não a uma lógica de resistência, de oferecimento
de um conhecimento importante publicamente; ignorar a habilitação
de Relações Públicas é também
não ouvir os profissionais que aqui se formaram, bem como
não se levar em conta suas carreiras e suas contribuições
que oferecem à sociedade.
Por
isso, rogamos, junto à comissão competente de decisão
sobre a suspensão da oferta da habilitação
de Relações Públicas para 2008, que considere
nossos argumentos para a manutenção desta habilitação,
para continuar garantindo nosso direito em ter a formação
e a titulação em Relações Públicas,
bem como o direito de nossa sociedade de continuar recebendo as
contribuições que essa universidade pública
tanto oferece.
Belo
Horizonte, abril de 2007.
Participe
da mobilização nacional em prol do curso de RP da
UFMG mandando a sua mensagem para:
PRÓ-REITORIA
DE GRADUAÇÃO
Prof. Mauro Mendes Braga
gab@prograd.ufmg.br
FAFICH
Diretor: Professor João Pinto Furtado
Telefone: 3499.5016 - Fax: 3499.5060
Av. Antônio Carlos, 6.627 - Campus Pampulha
31270-901 Belo Horizonte - MG
e-mail: dir@fafich.ufmg.br
CHEFIA
DO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Professora Drª Rousiley Celi Moreira Maia
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Av. Antônio Carlos, 6627 - Campus Pampulha - Sala 4238 -
4° Andar
Secretaria
do Departamento - dcs@fafich.ufmg.br
- Tel. (31) 3499-5012
31270-901
- B. Horizonte/MG
COORDENADOR
DO COLEGIADO
Professor
Dr. Bruno Souza Leal
Faculdade
de Filosofia e Ciências Humanas
Av.
Antônio Carlos, 6627 - Campus Pampulha - Sala 1038-B- 1º
Andar
Secretaria
do Colegiado de Graduação - colcom@fafich.ufmg.br
- Tel. (31) 3499-5043
31270-901
- B. Horizonte/MG
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